Namorando sua faculdade

Uma história pra levantar a alma

2020.10.11 05:11 vicgregor1 Uma história pra levantar a alma

Eu passava o tempo lendo algumas histórias por aqui. Me divirto com algumas, tenho vontade de ajudar em outras. Mas talvez, a melhor ajuda que eu posso dar seja dividir a minha própria história recente.
2019 foi um ano de m* pra mim. Não diria que o pior ano de todos porque teria páreo, mas tá ali no top 3. De janeiro a junho, saí de uma situação onde tava a beira de terminar a faculdade, noivo, feliz e traçando planos pro futuro, pra tendo que parar tudo porque a minha tia quebrou a coluna numa queda, perdendo minha noiva depois de mais de 4 anos de relacionamento - e justamente quando eu mais precisava de alguém, que foi quando minha tia piorou dramaticamente. Provavelmente só os jogos me fizeram sobreviver, de resto, vivi basicamente no 'piloto automático' o ano todo. Minha tia com minha atenção e cuidados médicos, eventualmente se recuperou em dezembro da coluna, e começou uma longa reabilitação física, mas dos males o menor. Mas a minha jornada só tava começando. É aquela história: você só consegue resolver um problema quando entende o que é ele. E até aí, eu achava que com a minha tia melhorando, eu também melhoraria. Eu tava completamente enganado. Ela melhorou, mas eu ainda me sentia... vazio. Não confiava em ninguém, e nem em mim mesmo. Eu demorei a entender por que. No fim das contas, senti que tinha falhado e que tudo tinha sido culpa minha, mesmo não tendo sido - é uma tendência que tenho desde adolescente de assumir muita responsabilidade, inclusive em situações onde ela não é exatamente minha. Uma coisa que gostaria que alguém tivesse me dito na época é que ter o coração partido dói, e muito, mas por maior que seja, a dor não vai fazer o tempo parar pra que você o conserte.
Entra a pandemia. E por mais bizonho que isso possa soar, também a minha recuperação. Com todo mundo em isolamento social, e sentindo falta de contato, a minha falta de contato que já vinha de 2019 se tornou insuportável, e decidi quebrar essa barreira voltando a falar com velhos amigos de jogo e de faculdade. Eu redescobri o quão eu era uma pessoa divertida e bem vinda pelo pessoal, e esse calor humano foi o que me fez levantar a cabeça de novo - eu sempre fui extrovertido, e a solidão me consome muito rápido. Um dia eu acordei e olhei ao meu redor, o quarto numa bagunça. E eu acredito que o quarto normalmente reflete o estado mental da pessoa. Se pretendia organizar minha vida de novo, talvez meu quarto fosse um bom começo. Levei três dias arrumando tudo, mas valeu super a pena. Me senti bem comigo mesmo pela primeira vez em meses. Ainda não tinha um plano pro futuro, mas considerando a pandemia, o futuro podia esperar um pouco. Fazer um presente melhor, pra quem sabe isso fluir pro futuro. Comecei a cuidar melhor de mim mesmo, e acabei me apaixonando pela minha melhor amiga dos anos de faculdade - o sentimento era recíproco, e estamos namorando!
Depois disso acabei pegando covid-19 em um dia que tive que comprar comida pra casa, mas ficando assintomático, mas minha tia acabou pegando de mim, teve que ir pro hospital, mas atravessamos tudo isso comigo de cabeça erguida. Ela melhorou, e eu recuperei minha confiança em outras pessoas e em mim mesmo. Estou de volta a fazer planos pro futuro, que apesar dos tempos sombrios, parece brilhante no horizonte.
Queria concluir dizendo a todo mundo que tá se sentindo sozinho, que acha que fracassou, que falhou: se você tá vivo, dá pra virar o jogo. Nada na vida é permanente, nem a derrota, por mais que ela pareça. Flua e deixa fluir. E se você quer um começo, não precisa ir muito longe. Toda pequena vitória conta, desde que tenha sido melhor que o dia anterior. Se perdoe. Cuide muito bem de você mesmo, afinal você mesmo sempre deve ser sua melhor companhia, já que é a única que sempre, 100% do tempo, vai ter. Que tal arrumar seu quarto? Podendo ou não ser o começo de uma boa história, eu tentei... e deu muito certo. Busque ser a sua melhor versão que com dedicação o resto vem.
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2020.09.14 08:18 Krahmukoslovisk Término, mestrado e mudança de vida

Ano passado me formei em veterinária e próximo ao fim do curso tive episódios de depressão e ansiedade por conta de dois professores que fizeram questão de me atormentar a paciência. Na época estava namorando e isso afetou muito minha relação, porém seguimos o namoro. Tivemos vários momentos de "vai e volta" primeiro por que estávamos morando muito longe um do outro (ela em Curitiba e eu interior do espírito santo) e segundo porque não tínhamos grana pra nos vermos . Ela estava em final de faculdade também, os pais dela não ajudavam em quase nada e acabei me endividando pra ajudar ela a pagar alguns cursos. Com a pandemia tudo ficou pior, eu trabalhava em um consultório, onde aparecia paciente 1 vez por semana as vezes nem isso, quando chegavam reclamavam do valor da consulta e exames ( 50 conto de hemograma e 90 de consulta) estava me sentindo o Julius de todo mundo odeia o Chris, tava pagando pra trabalhar no meu primeiro prego fixo. As coisas foram piorando no namoro até que decidimos terminar, há uns 2 meses, e ao mesmo tempo passei no mestrado em uma universidade particular, consegui um emprego descente, estou morando sozinho. Estou estagiando no hospital em horário comercial, assisto aulas a noite e pego plantões todo fim de semana para não me sentir sozinho e com saudades da ex (que aliás ainda amo). Meus amigos das antigas estão com suas vidas encaminhadas e fazendo planos e marcando roles, meus colegas daqui não me chamam pra assitir um filme se quer. E estou com medo de voltar aos tempos sombrios. Obrigado por lerem até aqui, se é que tem alguém que leu. Precisava falar pra alguém.
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2020.09.09 04:41 kriskastro Cada vez mais quebrado e tentando juntar os cacos

Gente, já li de tudo por aqui e adoro os temas sobre relacionamento. Dessa vez chegou a minha vez de desabafar. : PS: Sorry pelo textão, mas é que eu preciso externar um pouco de tudo pra ver se me serve de alguma coisa.
Já não sou mais um adolescente, mas também não chego a ser já um adulto de meia idade; mas tá perto rs. Tenho 27 anos, já beirando os 28. Nunca engatei definitivamente em um relacionamento sério e nem sei se sou preparado para isso efetivamente, serio mesmo. Minha família é meio fudi* sobre relacionamentos. Pais separados, confusões aqui e ali e até pelo que pude perceber sobre os que estão além dos meus pais, digo tios e tias, a situação não é muito animadora ou exemplar. Enfim, sinto até que de alguma forma por não ter bons exemplos ou referências em casa isso de alguma forma pode ter me afetado, me travado, ou até mesmo me ter deixado com um certo nível de ansiedade/panico. Sei lá. Moro com a minha mãe ainda e meu irmão mais novo.
Sou uma pessoa que simplesmente não sai e resolveu viver isolado na sua própria bolha; diria até que com poucos amigos próximos, digamos assim... (sabe daqueles que você pode literalmente contar com eles para o que der e vier? Pois é.). Já sou formado, pago as próprias contas, ajudo até de certa forma a segurar ainda a estrutura financeira abalada em casa. SIM, meu pai era o provedor do dinheiro como toda "família tradicional" brasileira; mas hoje me dia minha mãe já tem a fonte de renda dela que se complementa com a minha. E meu pai acho que ainda ajuda só por conta do meu irmão mais novo mesmo.
Enfim, sinto que o tempo vai passando e passando e a maneira como eu vivo hoje me incomoda. Não quero ter esse papel de "pai provedor" da família que eu ainda não tive, se é que me entendem. Sinto que preciso mudar e sair dessa zona de (des)conforto, mas ao mesmo tempo vivo um dilema entre a responsabilidade para com aqueles que estão comigo e a vontade de construir algo meu, a minha própria história. Agora assim, sair de casa pra (sobre)viver e ficar a ver navios é foda, até pq a vida sozinho é bad trip total. Nessa parte, já quero introduzir o tema o relacionamento que até então são inexistentes; penso que de alguma forma quando você tem alguém que vale a pena você lutar para que as coisas deem certo, e obviamente a pessoa também queira, de alguma forma os dois conseguem encontrar alguma felicidade em meio a tudo, mesmo diante das dificuldades.
Mas vamos lá que já estou é divagando aqui. Sobre relacionamentos: sou uma pessoa extramente fechada. Não saio. Como disse, sou de poucos ou quase nenhum amigo próximo. Não considero conhecidos ou colegas de trabalho como alguém que se pode contar muito, sabe. Obviamente pra não pirar da batatinha, pelo menos cresci aderindo ao hobby de jogar video games pra aliviar um pouco o estresse e até a deprê - na verdade herdei esse hobby da adolescência e acho que os sentimentos meio depressivos também. Tenho ps4 que mal jogo hoje em dia, mas ainda me divirto um pouco no pc com uma galera muito massa no lol kk. SIM. 27 anos jogando ainda League of Legends. Mas voltando... pra piorar um pouco, tenho de certa forma uma atração, ou sei lá um imã, pra garotas que são bem peculiares, digamos assim.
O meu primeiro contato na adolescência que talvez pudesse ter rendido um relacionamento foi com uma garota que conheci no Tinder. Eu deveria ter uns 17 anos mais ou menos. Nem tinha entrado na faculdade. Ela era gata e inteligentíssima, mas não me recordo o nome dela. Sente o drama: depois de semanas conversando e praticamente se descobrindo quase que nascidos um pro outro, ela me revelou que fazia tratamento para câncer e já faziam anos e mais anos na luta. As fotos dela eram de peruca, sabe. Tanto que depois de semanas ela começou a me mostrar as fotos já carequinha. Ela morava no interior e vinha de tempos em tempos aqui pra cidade fazer o tratamento dela. O namorado dela a deixou depois dessa bad trip. Enfim, um negócio pesadíssimo. Quase como A culpa é das estrelas. : O tempo passou, coisas aconteceram, a vida foi entrando numa velocidade frenética. A faculdade chegou, as provas, os semestres, os estágios, a rotina maluca e simplesmente fomos aos poucos deixando de nos falar e eu simplesmente não sei o final dessa história. Mas me arrependo quase que amargamente de não ter ido conhecer ela pessoalmente independente do desfecho.
Na faculdade, me apaixonei por uma garota. Mas nem vou me alongar muito. A thread da facul: depois de anos estudando juntos, me declarei pra essa garota e para minha surpresa uma amiga nossa em comum também fez a mesma coisa. A garota da história é bi e eu tinha total consciência sobre isso, mas só fiz o que meu coração mandou. Enfim, esse negócio não foi nem pra frente e nem pra trás. Nem eu e nem a nossa amiga em comum ficou/namorou essa garota. Mais uma vez o tempo foi passando e passando... até que terminei a faculdade e até onde tive notícias, hoje a garota que eu era apaixonado está namorando um cara aí. Enterrei esse amor e deixei o tempo cumprir o papel dele. Aconteceram outras coisas na faculdade também entre eu e uma outra miga, mas nem vou comentar pq não vem ao caso, simplesmente não era para ser e pronto e o pior é que até transa sem camisinha rolou kk #medo, mas calma que teve pilula e teste após isso. Então, nada de filhos não programados. Amém.
Após a facul e agora sim em um tempo mais recente. No trabalho, há uns dois anos atrás descobri que uma garota era perdidamente apaixonada por mim. Isso era novidade pra mim que já estava acostumado só com amor não correspondido, mas o drama aqui é que eu simplesmente não sentia a mesma coisa por ela. Olha só que ironia, não? Isso é foda, pq eu sabia como era gostar de alguém e isso não ser recíproco. Mas enfim, a garota foi demitida e com a demissão acho que foi-se qlq esperança de se construir algum amor - isso para os que acreditam que esse trem é construído tijolinho, por tijolinho. Eu só simplesmente não sei como funciona, desculpa.
Há seis meses atrás ou até mais, meu coração resolveu bater mais forte por alguém mais uma vez. Mais uma coisa que simplesmente não sei o pq diabos acontece, mas já aceitei que a vida é assim. Ela é uma colega de trabalho. O tempo passou, ficamos íntimos, conversamos muito, mas muito mesmo sobre absolutamente tudo. Literalmente tudo. A pandemia chegou e até hoje estamos de home office :p. O drama aqui é que eu resolvi me declarar para ela. Abri o jogo. Coloquei as cartas na mesa e joguei para ver o que iria dar. Como resposta tive um surpresa e um desagrado ao mesmo tempo. A surpresa foi em saber que ela se preocupa comigo tanto quanto eu me preocupo com ela, mas amigos... o sentimento que temos um do outro é bem diferente. Infelizmente! Ah e o drama aqui não vou entrar em muitos detalhes, mas a thread só não chega a ser pior do que a minha primeira história e a segunda. Talvez seja pior que a segunda. Envolve uma infância bem conturbada da parte dela, abusos do pai e até relacionamentos abusivos de ex. Mas como disse, não vou entrar em detalhes. Enfim, essa semana tive a noticia de que ela está com um cara ai e é isso, amigos. Mais uma vez quebrei-me em mais um monte de pedaços antes mesmo de saber o que é um relacionamento.
Agora assim, sabe o que é o pior de tudo? A sensação de baixa-autoestima que você acaba criando e acho que até uma certa ansiedade/nervosismo ou sei lá o que. Um sentimento quase como: qual é o meu problema? Será que eu não sou uma pessoa interessante? Estou fora do padrão do que costumam encontrar por ai? Enfim, neuroses que nem vale a pena perder tempo pra não cultivar bad trips. O tempo só vai passando e não há nada que eu possa fazer a respeito a não ser aceitar que as coisas são como são e pronto. E que simplesmente não sirvo para relacionamentos. Talvez isso me conforte de alguma forma.
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2020.08.18 19:05 New_File2351 A depressão destruiu a minha vida. Não deixe que destrua a sua também

Saí de dentro de uma caverna pra escrever esse post. Aparentemente tem muita coisa acontecendo que vai me abafar, mas postarei mesmo assim,
Sofro de depressão desde a minha infância e a minha vida foi marcada pelo completo vazio. É difícil explicar para as pessoas o que é esse vazio, pois sempre estão fazendo alguma coisa. Eu nunca fiz nada e é sobre esse nada que quero falar.
Nunca tive amigos ou alguém com quem pudese conversar. Também nunca interagi com as pessoas pela internet. Na escola eu ia embora logo e não interagia com ninguém. Não fiz atividades fora da escola. Nunca tive nenhum relacionamento, sequer beijei alguém durante toda a minha vida. Também nunca trabalhei nem continuei os estudos.
A única coisa que fiz na vida foi uma faculdade e nem sei como, pois eu quase não frequentava, não fiz pesquisa, não tive bolsas, nada. Eu fazia as provas e ia pra casa. Quase não conheci ninguém, nunca fui a nenhum evento com colegas de sala, nada.
Quando falo em depressão, muita gente deve imaginar uma pessoa triste, mas que faz as coisas, pois ouço muitas histórias de pessoas com depressão que viajam, namoram, fazem muitas coisas. Não é isso o que aconteceu comigo. Ao longo desse tempo eu mal tive ânimo ou energia para nada, por muitos momentos me vi no chão, sem conseguir sair do lugar, como se meus músculos não respondessem aos meus movimentos.
Eu demorei muito pra receber um diagnóstico e fazer tratamento, porque minha família achava que era tudo frescura minha, que eu era preguiçoso, apático e que não gostava de fazer nada. Com isso fui perdendo muitos anos de vida.
Venho fazendo tratamento, já tomei quase toda classe de medicamento possível, tudo sem resultados. Já fui por diversas vezes a psicólogos mas não fazem nada. Tudo foi em vão e só perdi ainda mais tempo.
Hoje eu tenho 27 anos e perdi completamente a minha vida. Você que está lendo pode até dizer que ainda estou jovem e posso fazer muitas coisas, mas não é a mesma coisa. Eu não posso vivenciar o que é ser uma criança brincando com os amigos, um adolescente namorando, um adulto jovem fazendo pesquisas na faculdade, estágio, iniciando uma carreira. Eu não posso vivenciar nada disso. No máximo eu posso vivenciar o que é ser uma pessoa mais velha "correndo atrás".
O que me resta nessa vida? Vivi a vida toda como um animal de estimação sem nunca fazer nada. Eu não tenho o que fazer ou pra onde ir. Você que está lendo isso deve ter dificuldades pra entender o que é o completo vazio. Esse vazio nos destrói por dentro até que ficamos igualmente vazios, carcaças ambulantes e sem vida. Eu nunca vivi.
O que farei não será um suicídio, pois só morre quem está vivo. Eu já morri há muitos e muitos anos, só esqueceram de me enterrar. O que farei será apenas finalizar essa tarefa.
Se você que está lendo isso tem sinais de depressão ou se identifica com qualquer coisa que escrevi, não deixe que a depressão destrua a sua vida também. Procure e faça todo tipo de tratamento que puder, enquanto é tempo.
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2020.08.18 17:38 -Galactic_Cat- Pensei q quando crescesse ia ser importante

Burnout, ansiedade, baixa autoestima...tudo isso junto, vindo da geração q mais se cobra.
Biata saco é se sentir um merda em relação aos demais da sua idade, tão fazendo faculdade, trabalhando, namorando, fazendo o caralho a 4. E eu? eu tenho vontade de morrer toda vez q levanto, eu mui raramente faço uns bico merda, eu n tenho autoestima e tranquilidade pra estudar, minha resiliência é pífia.
Minha psicologa fala pra mim relaxar, tirar uma ferias de todo essa cobranças mas eu só quero morrer no tempo que fico acordado :/
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2020.08.17 02:59 gimme-that-potato Uma das melhores decisões que tomei foi começar a tomar remédio para depressão

Olá, meus queridos.
Como o título sugere, venho aqui compartilhar minha experiência, pois acredito que possa acabar ajudando alguém aqui. No mais, vou poder pôr algumas ideias em ordem e poder dar uma desabafada. Tentarei ser breve, mas sei que não vai rolar rs, e acredito que meu texto não será tão linear.
O negócio é o seguinte: nunca fui apaixonado pela vida, de modo geral. Sempre fiz minhas coisas e tudo mais, mas essa tendência já me fez ficar para baixo (talvez algumas vezes depressivo) em algumas partes de minha vida. Nada disso me impediu de viver normalmente, sentir alegria, felicidade, paixão, correr atrás do que gosto, etc.
Acontece que ano passado estava em uma época braba. Havia terminado a faculdade, saído do emprego para prestar um concurso que não passei, e estava desempregado. Porra, estar desempregado é foda. A sensação de ficar em casa sem produzir é péssima.
Chegou uma hora que quis me cortar. Nada de suicídio, e nunca acreditei que pudesse fazer isso (apesar de estar com a constante sensação de querer nunca ter nascido), mas não deixa de ser um sintoma bem preocupante. Quando comecei a me dar uns pequenos cortes (escondidos), entendi que era hora de voltar pra terapia. Voltei para a mesma psicóloga que conheço há uns anos e confio bem.
Cabe aqui fazer um parênteses sobre depressão: há vários jeitos de melhorar esta doença. Contudo, tem um estudo recente que analisou a mistura entre dois tratamentos variados (ioga com psicólogo; meditação com psiquiatra; prática de esportes com meditação; etc.), e a melhor combinação de tratamento encontrada foi: acompanhamento psicológico junto com psiquiátrico. Não significa que tem que deixar outros tratamentos de lado, mas essa foi a melhor fórmula comprovada para combater.
Outra coisa: se você quer buscar um psicólogo, o que super recomendo, não importa a linha que ele ou ela segue. Freud, Lacan, Jung... nada disso importa. São ferramentas elaboradas para chegar em um mesmo objetivo. O que importa é você encontrar alguém que você vá com a cara. Alguém que você confie em desabafar. Não adianta conversar com um psicólogo pica das galáxias se você não se sente à vontade com ele.
Enfim. Começando a terapia, comecei a perceber diversos outros sintomas. Já não estava com a mesma concentração de antes. Me perdia no meio de frases. Estava me desconectando do mundo. Até atividades mais prazerosas estavam soando trabalhosas ou cansativas demais para mim. Meu prazer em coisas comuns, como comer algo bom, estava diminuindo. Foi a primeira vez que minha psicóloga sugeriu eu procurar um psiquiatra para me ajudar.
De início me senti mal, pois nunca tomei remédios para a cabeça. Mas depois veio um certo alívio: eu simplesmente estava doente, como uma gripe, e talvez precisasse só tomar um remédio. Você tem ideia de como é um alívio entender que sua mente te prega peças, e o motivo de você estar mal pode ser simplesmente algo fora de seu controle? Como uma mera desregulação hormonal, ou falta de algum receptor no cérebro, algo assim.
Falando com o psiquiatra, ele me passou um remédio relativamente novo, que, a grosso modo, estimula a produção de receptores de certos neurotransmissores na minha cabeça. Em outras palavras, ele estimula o cérebro a "captar mais prazer", ao invés de criar o prazer em si (como uma droga ilícita geralmente faz). Tanto é que é um remédio de tarja vermelha, e que não vicia (apesar de dar efeitos colaterais).
O início do tratamento foi bem ruim. O primeiro efeito colateral era a sensação de estar sonhando, ou na beira de uma grande ansiedade. Como se eu estivesse caindo, mas aquela sensação de "estar caindo" tivesse durando minutos. Isso me fez aprender a deixar rolar, sabe? Eu sabia que era um efeito do remédio, então não podia fazer nada, senão deixar acontecer, seguir com a maré. Eu diria até que eu pude aproveitar minha ansiedade. Sentia que era o remédio que me causava essa aceleração, mas que era ao mesmo tempo ele que me possibilitava ter esse "freio".
Outro efeito ruim foi o sono. Na verdade era mais uma vontade incontrolável de bocejar em si do que sono.
Como um outro possível efeito era falta de libido, óbvio que nos primeiros dias a primeira coisa que fui testar foi a masturbação. Confesso que foi bem difícil chegar no orgasmo, parecia que eu ia criar fogo com as mãos hehe. Por outro lado, um tempo depois minha libido até melhorou, pois minha depressão me fazia não querer buscar sexo. Minha namorada me apoiou durante tudo isso e entendeu, quando conversamos, que o sexo poderia piorar, o que felizmente não ocorreu.
Depois esses efeitos melhoraram (acredito que em até 2 semanas). O de sono e bocejo passou por completo, assim como o da ansiedade. Eu sentia que o remédio era um freio para minha ansiedade. Se eu fosse um carro, era como se o remédio colocasse uma trava na velocidade máxima. Sentia ele me ajudando.
Uma coisa que demorou para melhorar foi meu fluxo intestinal. Estava acostumado a ir ao banheiro todos os dias, às vezes até duas vezes (aqui cabe ressaltar que sou homem e, quando comecei a tomar o remédio no ano passado, estava com 26 anos). O remédio me fodeu com isso. Comecei a passar uns dias sem ir ao banheiro, ou ficar totalmente desregulado. Hoje, meses depois, isso já melhorou 100%.
Umas semanas depois comecei a ter um pouco de insônia, que até hoje vem e volta, mas nada que me atrapalhe.
Mas nada disso chega perto ao que o remédio me proporcionou: a capacidade de sentir prazer banal, no dia a dia, como ao ver um pôr-do-sol, ouvir uma música foda, ou comer algo gostoso. Hoje nem parece que eu tomo remédio. Faz parte da minha rotina: eu acordo, tomo meu comprimido, meu café, e sigo com o dia. Às vezes penso que deveria ter buscado um psiquiatra antes.
Claro que o tratamento é temporário. Eu sinto um pouco de falta de poder "curtir mais minha angústia" quando não tomava remédio, pois isso me ajudava a compor música ou escrever algo. Hoje me sinto melhor sabendo que estou mais pronto para terminar o tratamento (que demora no mínimo 6 meses, se não me engano até 2 anos). Também sei que, se voltar a ficar mal daquele jeito, tenho mais ferramentas para usar ao meu favor.
Se você está mal, não tenha vergonha de procurar um psiquiatra. Não coloque barreiras que não existem. Se você estivesse com febre, você iria no médico. Pode ser que sua depressão seja simplesmente uma reação física de seu corpo, e não uma mera falta de vontade (aliás, acho que nunca é, pois vontade de estar bem todo mundo tem). Até porque, uma pessoa com a vida 100% boa pode sofrer de depressão. Como falei, pode ser por algo idiota, como uma desregulação de seu corpo, algo hormonal, etc.
Pense nos remédios como uma rodinha extra numa bicicleta: ele vai servir de apoio para seu cérebro reaprender a andar sozinho, e, então, quando estiver pronto, vai poder andar ser as rodinhas.
Uma questão é que eu dei sorte. Um dos meu melhores amigos demorou uns bons anos para encontrar o remédio certo para ele. Ele tentou de tudo, várias terapias, e finalmente achou esse remédio (que é o mesmo que o meu, por coincidência), junto uma terapeuta de confiança. O cara até conseguiu assumir ser gay e hoje está namorando e feliz em um relacionamento, o que me deixa muito feliz.
Quando compartilhei essa história com outro amigo, ele confessou que estava tomando remédios para a ansiedade. Ele disse que era incrível poder sentir o prazer do presente ao andar de ônibus.
Comecei um trabalho novo em janeiro, e venho enfrentando altos e baixos por conta do isolamento da pandemia (não estar fazendo exercício vem ferrando com meu corpo). Mas sei que hoje tenho mais recursos para me cuidar. Ainda tomo remédio e faço acompanhamento psiquiátrico, e parei com a terapia pois não queria fazer online, embora eu ache que volte logo menos e faça por videochamada mesmo.
Enfim, espero ter ajudado alguém, ou ao menos estimulado a empatia, caso conheça alguém que esteja depressivo, ou com receio de começar a tomar remédios. Sempre fui muito mente aberta com muita coisa, inclusive terapia e psiquiatria. Mas ainda dava uma julgada com quem "parecia bem" e mesmo assim estava tomando remédio. Hoje vejo isso com mais empatia, pois nem todo mundo que parece bem está de fato bem. Quem sou eu para saber o que o outro sente, quando às vezes nem eu mesmo sei dizer o que sinto...
Se você tem algum amigo com depressão, ofereça seu apoio. Não julgue. Quando puder, insista na amizade. E não vomite suas próprias histórias. Não fale que "é falta de vontade", ou que é "frescura", ou que você conhece um "óleo essencial" para depressão. Às vezes a pessoa só precisa de alguém para desabafar, ou ao menos saber que você está lá para ela (como eu estive para esse meu grande amigo). Apesar de a tristeza poder ser um sintoma da depressão, depressão não é tristeza. Depressão é o oposto de vitalidade.
Por fim, deixo como dica de leitura o que acredito ser uma espécie de "guia definitivo" para a depressão (só não digo "definitivo" pois é uma área da ciência em constante evolução, e, CARAMBA, como eu sou grato por nascer nesta nossa época e não há 50 ou 100 anos, quando havia muito mais estigma e muito menos remédios...). Trata-se do livro O Demônio do Meio-dia, de Andrew Solomon. É um documento jornalístico que conta a história, em primeira pessoa, do escritor e sua luta para entender a própria depressão e a Depressão em si como doença. Nele há muito sobre questões emocionais, como os diferentes remédios funcionam, como a depressão afeta diferentes grupos de diferentes formas, etc. Foi o que me ajudou para ganhar conhecimento e lidar melhor com esse meu amigo (e, depois, lidar comigo mesmo). Esse mesmo jornalista faz um TED Talk muito bom aqui.
Obrigado a quem teve o saco de ler até aqui. Não sei se vou responder todas mensagens, mas tentarei. Se tiverem alguma dúvida, será um prazer tentar ajudar na medida do possível. Um grande abraço e tenha uma boa noite!
Edit: o remédio é Venlafaxina.
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2020.08.02 22:09 TheGoldenMorn Me sinto um acessório pra garota que eu gosto

Hey, gente! Tentando desabafar por aqui de novo e, bem, cá estou. Bom, em março engatei numa webrrelação (coisa que nunca imaginei fazer) e sempre tive minhas dúvidas em como iria funcionar. Como no começo da pandemia toda relação deveria ser uma webrrelação (em teoria), decidi dar uma chance. Passados alguns meses de muita harmonia e contato, ela voltou a trabalhar no final de junho, coisa que já tínhamos tentado estipular como seria, então eu tinha alguma confiança de que saberíamos lidar com a mudança de rotina.
Pois bem, a coisa tá bem diferente do que eu imaginava. Digo, ela tem o cotidiano dela, tem os amigos dela, a rotina dela e isso não é errado de maneira alguma, é só que... Isso tem me afetado. Ela é rica, bem rica, vive fazendo coisas ricas e comprando coisas ricas. Eu sou um cara de classe média baixa (essa classificação existe?), desempregado, nem bico posso fazer como antes por conta da pandemia, sustentado pelos pais. Então, bom, ela tá lá, trabalhando, curtindo eventos, saindo pra casas de amigos e conhecidos ricos, passeando de lancha, indo pra festinhas e eu tô basicamente isolado na minha casa. Os pais dela são separados e ela vive indo dormir na fazenda enorme do pai no tempo livre. Quando tento sugerir da gente separar um dia "pra gente", conversar, se relacionar, assistir algo, provocar um ao outro, ela diz que acha essa ideia muito engessada, que prefere a gente vendo espaço na agenda e coisa do tipo. Eu super concordo com isso normalmente e é como sempre tentei guiar meus relacionamentos, mas eu percebo que isso não vai funcionar. Não agora.
No fim, ela tá vivendo a vida dela normalmente e eu tô sempre na expectativa da gente fazer algo "como um casal", coisa que aconteceu acho que 3 vezes no último mês. A gente mora a mais de 1000km de distância e as aulas da faculdade dela ainda vão ser retomadas agora em agosto. Me sinto só, mesmo num relacionamento. Já sei o que fazer, com certeza, mas vou tentar ter uma conversa como ultimato e explicar o quanto isso tá me fazendo mal. Eu sei que não deveria ficar pensando "nossa, ela é rica e faz coisas, eu sou fudido e tô sozinho" durante um relacionamento, mas isso acaba brotando na cabeça eventualmente. Quando se tá numa relação, você acaba criando expectativas, mesmo que mínimas. Aquela mensagem de boa noite, aquele compartilhamento de cotidianos e momentos engraçados, faz falta, não dá pra simplesmente a gente ficar no "eu te amo" e não brotar na vida do outro. Ou só brotar quando sobra tempo.
E, vou falar pra vocês, é MUITO ruim tá namorando alguém de uma classe social muito diferente da sua quando você tem depressão/ansiedade. Ainda mais pela internet. Ainda mais quando você é um "fudido" na visão da sociedade e sabe que ela tá cercada de pessoas bem sucedidas. Ainda mais homens bem sucedidos e solteiros. Já tomei porrada demais pra saber que não é só amor que constrói uma relação.
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2020.07.23 20:21 sugarparkjm Sobre ser gorda e ter hernia de disco

Olá, esse é meu primeiro post e estou aqui para fazer um desabafo sobre meu peso ao longo dos anos. Vou tentar resumir alguns acontecimentos. Esse post poder ter algum tipo de gatilho para certas pessoas(?)
Eu sempre fui gordinha a minha infância e adolescência toda, mas no primeiro semestre de 2009, quando eu tinha 16 anos, eu decidi que iria mudar antes de entrar na faculdade. Eu fiz uma dieta rigorosa, inclusive tinha cortado todo os tipos de carne da minha dieta, comia o mínimo possível e fazia caminhadas todos os dias. Eu consegui emagrecer o bastante para entrar dentro do "IMC normal", mas ainda sim não me achava magra. No segundo semestre de 2009 eu entrei para a faculdade de TI e arrumei um namoradinho lá. Eu continuava com a dieta até que um dia (outubro de 2009) eu desmaiei depois que voltei de uma caminhada, minha mãe me levou no médico, fizeram exames de sangue, mediram minha pressão, glicose etc. e o resultado foi: anemia e pressão baixa. Quando voltamos do médico minha mãe me obrigou a comer carne novamente, e desde esse dia eu voltei a comer "normalmente", pois ficava com medo da minha mãe me internar (ela tinha feito essa ameaça caso eu não voltasse a comer normalmente).
Em 2010 eu percebi que tinha voltado a ganhar uns 2 ou 3 kgs... Eai eu decidi que iria fazer algum tipo de exercício físico de alta intensidade, foi então que eu entrei pro karatê. Eu confesso que eu era viciada no karatê. Eu ia para os treinos TODOS OS DIAS. De segunda a domingo. Isso manteve o meu peso estável, mesmo eu comendo muito. Eu nunca fui de comer mal, besteiras e coisas do tipo. A questão aqui é eu sempre comi muito, desde criança.... Treinar karatê me fez ficar com o peso estável por todo o tempo em que eu pratiquei. E também me fez adquirir músculos e ter um corpo bonito.
Eu treinei karatê fielmente, do ano de 2010 até 2013. Eu era muito boa mesmo. Cheguei a pular da faixa branca para a vermelha, fui aluna destaque, ganhei campeonatos, viajei o Brasil por causa do karatê. Eu tinha amigos lá, e também cheguei a namorar um faixa preta no começo de 2012. Esse cara que eu namorei era muito manipulador, e eu descobri que ele me traia também. Mas eu perdoei e continuei namorando com ele. Ele foi o meu primeiro namorado que tirou minha virgindade e eu achava que iria casar com ele. Ele tinha hábitos alimentares horríveis e acabou que eu comecei a comer as mesmas besteiras que ele comia.
Em 2013 eu comecei a fazer academia. E eu lembro que um dia, ao trocar o treino com um dos instrutores (ele não me acompanhava, só estava lá para passar novos treinos), eu perguntei quantos kgs de peso era pra colocar no aparelho para fazer o agachamento Smith, e ele disse uma quantidade que agora não me lembro exatamente, mas sei que quando eu comecei a fazer o exercício eu percebi que era peso demais, eu logo falei pra ele que tava muito pesado e ele me olhou de cima a baixo, e disse pra eu deixar de ser frouxa e que eu aguentava. Eu fiz o exercício morrendo de dor na lombar e no joelho, e com certeza de forma errada, mas o instrutor não me corrigiu ou me auxiliou. Depois desse exercício não aguentei fazer mais nenhum outro e fui para casa. Depois desse dia minha lombar e meus joelhos nunca mais foram os mesmos. Eu parei de ir na academia e fiquei só no karatê, mas meu desempenho no karatê também diminuiu porque certos movimentos fazia minha lombar e meus joelhos doerem.
Me formei na faculdade no 1º semestre de 2013 e comecei a trabalhar em julho e com isso foi ficando mais difícil ir pro karatê como antes. Além de chegar cansada do trabalho, eu também tinha dores na lombar constantemente. E eu tinha voltado a engordar de novo. No final de 2013 eu já estava com 70 kgs, tinha praticamente largado o karatê, tinha dores na lombar recorrentes e estava num relacionamento infeliz. Nesta mesma época eu conheci meu atual marido (vou chamá-lo de M) pelo Facebook. Nós já tínhamos conversado antes, anos atrás, mas não tinha dado em nada.
No começo de 2014 eu fui no meu último campeonato de karatê e terminei esse meu relacionamento com o faixa preta e comecei a sair com o M. Depois desse campeonato eu nunca mais fui aos treinos de karatê (evitava também pra não ter contato com o faixa preta), e também não malhei mais em nenhuma academia. Eu fazia caminhadas com o M ou então andávamos de bicicleta.
A vida foi ficando mais corrida e eu tinha cada vez menos motivação/ animação para atividades físicas. Fui num ortopedista para ver a situação da minha lombar e dos joelhos. Em no final de 2014 fui diagnosticada com protusão (abaulamento) discal com compressão do nervo e condromalácia patelar.
Depois de 2014 a minha vida foi a mesma coisa: vai no médico, faz fisioterapia, melhora, faz atividade física, piora, ganha peso, vai no médico, faz fisioterapia, faz atividade física, piora, ganha peso… Eu passei muito tempo indo parar na emergência do hospital para poder tomar remédio na veia para dor. Fiz muitas sessões de fisioterapia. Comecei e parei exercícios físicos várias vezes durante esses últimos anos… Atualmente eu não como tanto como eu comia como quando eu estava no karatê, mas eu tenho ansiedade também e algumas vezes isso provoca uma compulsão alimentar lascada.
Acontece que atualmente eu já estou com quase 100 kg, o problema da minha lombar evoluiu para uma hérnia de disco com compressão do nervo, o que faz doer constantemente e piora muito quando eu estou estressada. Já perdi vários dias de trabalho por causa desse problema e eu sei que estar gorda piora e muito a situação. Eu sempre ouço dos médicos que eu tenho de emagrecer para não sobrecarregar os joelhos e melhorar (pelo menos um pouco) a dor na minha lombar. Mas eu não consigo mais emagrecer. Eu engordei 20 kg a mais do peso que eu estava em 2009 quando fiz a primeira dieta.
Ao longo dos anos eu tentei uma serie de dietas, eu emagrecia, mas depois de alguns meses voltava a engordar de novo e mais ainda. A anemia que eu desenvolvi em 2009 sempre volta de tempos em tempos. Desde aquela época meus níveis de ferro e hematócrito são baixos. Meu emocional também foi muito afetado nesses últimos cinco anos, sofri uma serie de problemas no meu relacionamento e traumas. Só de imaginar as dores que eu vou sentir quando fizer algum exercício físico já me desanima o bastante para extinguir a minha vontade de sair da cama.
Atualmente só de ficar sentada por mais de 30 min minha lombar já começa a doer (igual está doendo agora ao escrever esse desabafo). Eu me sinto horrível ao me olhar no espelho. Eu tenho compulsão alimentar e ansiedade. Eu não tenho o mínimo ânimo para fazer exercícios físicos. Eu sinto dor diariamente. Eu sinto falta do karatê. Eu sinto falta do corpo bonito que eu tinha.
Meu marido já deixou claro sua preferência em ver mais magra. Ele acha ruim quando eu como algo não saudável (e eu concordo que eu não deveria comer comida não saudavel, mas algumas vezes eu não consigo evitar, o que gera a situação deu comer escondido). Algumas coisas eu como para me sentir feliz ou como quando estou ansioda. Mas logo em seguida eu me sinto extremamente culpada ao comer. O que ocasiona em crises de choro logo após comer. Quando eu não choro eu fico com raiva de mim mesma, sempre seguido de angustia e tristeza. Meu emocional parece que está sempre numa montanha russa. Altos e baixos a cada simples acontecimento.
Eu fico pensando que ficar magra vai me tornar feliz...
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2020.06.21 20:43 Wooden_Statistician3 Tudo que falo só piora e só queria que voltasse a ser como era antes

Desabafo. Há alguns meses casei, depois de menos de um ano de namoro. Apressado? Com certeza. Mas as circunstâncias meio que pediam. Ela veio de uma família extremamente quebrada e tóxica. Vivia sozinha há alguns anos, dependendo de auxílios de faculdade, parentes que só sabiam reclamar de estar ajudando, etc. Ela tem depressão profunda, e não tinha nem como se tratar.
Quando a conheci ela estava namorando, mas um namoro só de fachada, pois na verdade ele era abusivo e não deixava ela terminar, sob ameças contra a própria vida por parte, e à vida dela por partes de parentes dele. Durante boa parte da sua vida, a chamaram de feia, estranha, etc. Na faculdade as coisas mudaram, e começaram a enxergar a sua beleza, ficou com vários, mas sua auto-estima baixou tanto ao longo da vida que ela aceitou namorar com essa cara, sem nunca de fato querer, e acabou presa nesse relacionamento por mais de 2 anos.
Eu só tive uma namorada, há mais de 10 anos, e um crush forte até alguns anos atrás, o qual acabou em inimizade total. Sempre percebi que não era interessante pra nenhuma garota, na aparência, e nunca tive qualquer desenrolar pra "chegar". Depois de namorar, tomei gosto, e tentava. Porém do meu jeito tímido e, claro, ineficiente. Anos disso me fizeram perceber que não havia porque eu ficar insistindo em "achar alguém", se fosse acontecer seria no dia-a-dia normal, ou quando eu realmente me melhorasse como pessoa. Foquei então na minha educação e no profissional.
Um dia ela, ainda em namoro abusivo, falou comigo pelo Whatsapp, tarde da noite. O meu racional dizia pra eu ir dormir, pois a pessoa responsável e profissional dorme cedo e acordar cedo (ou assim deveria, pelo que dizem). Mas algo me fez querer falar com ela, mesmo que ainda de forma um tanto fria, admito. Papo vai, papo vem. Como parecia ser só uma amizade, eu falei abertamente com ela, inclusive quando ela perguntou de relacionamentos/crushes passados.
Semanas depois, ela termina o namoro e diz que gosta de mim. Pela primeira vez em muitos anos volto a sentir aquilo que senti no primeiro namoro. E ficamos, e namoramos, e tudo foi muito intenso. E então casamos, para que ela pudesse ter acesso ao meu plano de saúde como dependente e tratar, principalmente, da depressão, pois várias noites a vi chorar pelo seu passado que ainda atormenta o seu presente: ela não consegue nem mais estudar e boa parte das tarefas domésticas ficam pra mim. Mas havia tudo pra melhorar, não havia? Infelizmente, tudo mudou um dia.
Ela acordou e disse que sonhou que eu falava que eu achava aquele meu crush forte (Fulana) de alguns anos antes mais bonita que ela. Depois de algumas horas, como se perguntasse algo banal, ela perguntou se achava mesmo. O problema: eu considero a Fulana bonita, mesmo nível, mas o sentimento que existe é pela minha esposa e, obviamente, ela me é "a mais bonita". Mas ela não aceitava esse tipo de resposta, ela queria que eu respondesse de forma crua. Eu, que sempre procuro ser honesto, correspondi. Como considero as duas de mesmo nível, foi difícil. Conseguia lembrar de momentos onde uma estava mais bonita que outra, mas não chegava a "vencer". Uma certeza eu tinha, e continuo tendo, minha esposa tem a maior capacidade, ou seja, consegue ser a mais bonita. Mas ainda assim minha resposta não foi suficiente: ela dizia que eu estava enrolando, com medo de dizer a verdade. Não entendi do que deveria ter medo afinal, pra mim, a resposta mais direta e crua não fazia a menor diferença nos meus sentimentos para com ela. E, se eu estivesse raciocinando direito eu teria percebido a armadilha bem ali na minha frente, mas eu caí nela quando ela novamente exigiu a resposta direta e crua: ou ela ou a Fulana. E eu falei a Fulana.
E, de repente, ela começou a me atacar. Dizendo que eu acho a Fulana "linda e maravilhosa" e ela feia (quando pra mim ambas tão no mesmo nível, e pra mim ela vai ser sempre a mais bonita, pois é ela que eu amo). Que meu sonho era que tivesse dado certo com a Fulana, mas que ela foi o que deu (quando ela, e somente ela, que conseguiu reacender meus sentimentos, mesmo quando tudo dizia que não valia a pena sonhar com isso (afinal ela tinha namorado, etc.). Eu tentava explicar meus sentimentos, mas nada adiantava. A frustração, a angústia tomou conta e então, a raiva. Raiva de como algo que estava morto no passado, voltou pra me assombrar. Raiva de que algo completamente irrelevante no meu presente, e portanto nosso presente, estava ali, destruindo nosso casamento. Pois ela começou a querer ir embora, anular casamento, se separar. E na tentativa de melhorar as coisas, eu sempre piorava. Acabei falando palavras (que pra mim não teria tanto significância se ela dissesse), mas infelizmente pra ela tinha: disse que ela estava sendo "idiota" por insistir tanto nas afirmações desses ataques e desconsiderar completamente o que eu sinto e falava. Só estava tendo "amenizar" a situação, segundo ela. E que no fundo, eu queria alguém """melhor""" que ela.
Isso foi uma tarde. Ela eventualmente parou quando percebeu o quão mal eu estava. E claro que eu estava. A pessoa que eu amo e por quem eu faço tudo, praticamente "inventou" um motivo pra me atacar. E daí que numa análise crua e racional, naquele ponto específico da história, a Fulana havia "vencido" no concurso de beleza entre as duas. Grande bosta. Minha esposa continuava sendo bonita, e pra mim e meu amor, a mais bela. Era ela que realmente havia gostado de mim, era ela que quis casar comigo, era ela que me acompanhava nos filmes de sábado à noite, era ela com eu me via vivendo pra sempre do lado. E de repente, parecia que nada mais disso iria se tornar realidade e por quê? Por algo que nem ao menos mudava o que eu sentia em relação a ela e nunca iria.
Durante o final da noite, eu tentei dormir, mas não conseguia. Tentei assistir vídeos de "como lidar com a pessoa amada em depressão". E ela começou a chorar do meu lado, muito. Larguei o vídeo, abracei-a. E ali as gentes se aceitou novamente. Ou assim parecia, porque poucos minutos depois, ela pergunta, inocentemente, se eu acho minha irmã mais bonita que ela. E o fato é, se eu dissesse que não seria uma bela duma mentira, e mesmo que eu achasse, ela diria que eu estava falando aquilo só pra agradar. E eu, O idiota, achando que estava tudo bem de novo, respondi que sim. E novamente ela começou a me atacar. E POR CAUSA DA MINHA IRMÃ!?
Atualmente eu me considero forte pra aguentar essas coisas, mas não dava mais. Ela quebrou minhas defesas com esses ataques. E tudo que ela me falava soava como "EU TE ODEIO". E eu aceitei esse ódio dela, pois, afinal, ela devia estar certa. Eu sou uma pessoa com 30 anos, aparência ok, mas que não tem amigos e só teve uma namorada antes dela. É óbvio que tinha algum problema, o problema de que eu era detestável. Eu sempre tentei demais ser prestativo e tudo mais, mas quando o assunto são sentimentos eu nunca consegui transmitir isso. Abraço minha mãe quatro vezes ao no: aniversário dela, o meu, dia das mães e natal. Sempre um abraço bem "desengonçado". Eu noto isso, mas sempre foi assim, e eu não sei mudar. Eu sei o que eu sinto, mas minha demonstração é e sempre vai ser insuficiente. E por isso todos ou acabam por me detestar ou se afastar de mim. Mas eu realmente pensei que com ela seria diferente.
Alguns dias se passaram e as coisas até foram melhorando. Até que cai tudo de novo. Ela conta pra uma pessoa, que mal conhece, que eu achava que ela na praia não ficava tão bem quando dentro de casa. Sim, eu havia falado algo do tipo, quando no começo da discussão ela pedia pra eu ser mais direto. Oras, ela tem umas manchas, gordurinhas a mais, etc. do que a fulana. Eu me sinto menos bonito do que um cara que não é assim, mas nem por isso me acho feio, ou ache vou sempre ser inferior. É só eu cuidar disso. E se não cuido, é porque tenho outras prioridades. Da mesma forma com ela. Não acho ela feia, nem menos bonita, só relatei o óbvio. E se ela não quiser cuidar, ou não conseguir cuidar, não é problema pra mim. Eu casei com ela pelo pacote completo. E assim como eu, ela também vai com o tempo perder pontos na aparência. E assim como eu, espero que ela ainda me ame, ainda me ache bonito, com eu continuarei amando ela e achando bonita. Mas não importa eu falar isso. Pois ela quer sempre dizer que tudo isso que eu falo é balela, enrolação, agrados, etc.
Pelo meu jeito detestável de demonstrar sentimento ela perdeu totalmente a confiança nos meu sentimentos, a ponto de nada o que eu falo valer mais. Ou talvez, no fundo, ela espera que eu seja pra sempre tão bonito quando ela acha atualmente, e quando eu não foi mais, ela vai me trocar por alguém que envelheça melhor. Mas se eu falo isso pra ela, ela bate o pé pra dizer que pra ela é completamente diferente, que o sentimento dela é real, mas que o meu? O meu é de mentira, porque assim ela decidiu. E ela ainda diz que eu mereço alguém ""melhor"". Mas o fato é, que ela se estiver certa, o que eu mereço é desaparecer. Pois o meu eu que ela odeia, é o único eu que existe. E se ela não é capaz de amar esse meu eu, e insiste em brigar, está mais que na hora de ela admitir o que está bem na frente dela: ela não me ama. Não mais. Só espero que não tenha sido nunca. Porque pior que ver tudo se destruindo e não poder fazer nada, pois nada do que eu falo impede, pelo contrário, piora, e ficar calado não é opção, então que pelo menos não tenha sido tudo uma mentira.
E hoje ela do nada veio falar que tá com medo de engordar, pois, segundo ela, eu falei que iria querer outra se assim acontecesse. Eu nunca falei isso, assim como nunca falei outras coisas com as quais ela vem me atacando. Mas o pouco que eu digo, se transforma num muito na cabeça dela. Eu não aguento mais. Eu peço pra ela parar, mas ela insiste em, nas palavras delas, "me colocar contra a parede pra botar as verdades pra fora". Mas do que adianta isso, quando ela já decidiu o que é verdade e o que é mentira? Nada, e por isso eu só queria que ela parasse. Que não pelo amor que ela supostamente sente por mim, mas pelo menos em consideração a tudo que eu fiz por ela.
Pois agora eu já não sinto nada. Um nada que não me permite nem ao menos dizer o que sinto por ela. Mas enquanto eu quero acreditar que ainda amo ela, ela insiste. Eu novamente pedi pra ela parar, e afirmei que não sei mais se gosto dela, mas que se ela realmente me ama, ela tinha que parar, e me deixar sentir novamente. Mas meu medo é que ela continue (ela está passeando com uma amiga nesse momento), pois se ela continuar o pior vai acontecer. O amor vai virar ódio. A vida vai virar morte. Figurativamente (apesar de temer, e muito, que aconteça literalmente para ela).
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2020.06.06 03:14 luccas373 Acho que sofri racismo (ou quase) num relacionamento.

Há uns anos atrás, quando estava na faculdade, conheci uma pessoa que passei a ter um namoro por uns 6 meses. O relacionamento acabou há 3 anos, mas agora lembrando bem, vejo que certas coisas que se passaram eram um tanto quanto racistas (ou quase).
Não quero acusar a pessoa de ser racista, ainda mais porque ela foi muito importante para o meu crescimento pessoal. Só que andei revendo a situação hoje, mais maduro e sem sentimentos envolvidos e cheguei a conclusão de que ouve alguma coisa meio racista na época.
Gente, para deixar claro, sou uma pessoa negra e estive namorando uma pessoa branca.
Bom, estávamos sempre juntos porque éramos da mesma turma. Sempre voltávamos para casa juntos no mesmo transporte público e nunca tivemos brigas, o problema era quando chegávamos no bairro onde ela morava, lá ela mudava completamente o comportamento, de alguém carinhosa para alguém bastante apreensiva. Ela dizia que não era legal a gente andar de mãos dadas e nem se beijar porque alguém conhecido poderia nos ver. Na época eu aceitava essas desculpas porque achava que ela era uma pessoa tímida ou reservada. Quando estávamos juntos em outros bairros, andávamos de mãos dadas e nos beijávamos com frequência em público, a maioria das vezes por iniciativa dela.
Íamos com frequência ao cinema e era lá que ficávamos mais a vontade e namorávamos bastante. Era meu primeiro relacionamento e estava bastante inseguro, querendo ser o melhor possível.
Nunca a vi como uma pessoa de raça diferente, só gostava dela por ser ela e só, mas é claro que algumas pessoas nos olhavam torto mas eu nunca liguava, também pensei que ela não ligava para isso também.(Será que ela se incomodava?)
Alguns dos momentos que ela mais ficava apreensiva era quando a mãe dela resolvia encontrá-la na volta da faculdade, justo no momento que eu estava perto, mais uma vez ela mudava completamente, seu olhar ficava até assustado. Não sei se a mãe dela ficaria irritada ao me ver e chegar a conclusão que estávamos namorando e “proibir” a gente de se ver ou coisa parecida. Tínhamos até codinomes no WhatsApp para a família dela não saber que estávamos em contato, mas eu não ligava, achava que era alguma coisa particular dela, não sei.
Lembro que ela tinha me contado que os pais dela eram descendentes muito próximos de portugueses e acho que ela sentia um certo orgulho nisso.
O relacionamento foi se desgastando com o tempo, pensávamos de formas diferentes. Bom, ela meio que “afanou” algumas das minhas coisas depois que terminamos e depois disso nunca mais trocamos uma palavra.
Nos víamos na faculdade e pouquíssimo tempo depois ela já estava namorando com outra pessoa, agora branca, que sem muita demora já estava nas fotos com a família dela.(Não me entendam mal, só acho bastante engraçado nós estarmos juntos por 6 meses e nunca ter pisado na casa dela e a outra pessoa com menos de duas semanas já estar com a toda a familia). É claro que ela pode levar quem quiser a sua casa, a outra pessoa poderia ter mais conexão com ela ou coisa parecida.
Não acredito que ela era uma pessoa racista, só acho que ela não tinha coragem suficiente para contar aos pais sobre mim ou parar de se importar com o que os outros vão pensar sobre ela a respeito de com quem namora.
Acho que namorar alguém que não era bem aceito pela família era demais para ela suportar. Nós éramos bem jovens e imaturos e isso era fator que mais pesava na época.
Não tenho raiva dela, só fico impressionado como essas coisas ainda são tão presentes hoje em dia. Gente que tem que esconder quem é por medo de como os outros vão pensar. Pensando bem isso é bem comum né.
Escrevi o relato pois queria contar isso a alguém e quem sabe tirar alguma outra conclusão que não me veio ainda.
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2020.05.10 17:42 Dortototo Não acho que alguém poderia gostar de mim de novo

Eu sempre tive uma autoestima muito baixa, não só sobre minha aparência, mas basicamente sobre todos os meus aspectos, portanto, nunca achei que uma mulher poderia se interessar por mim, tanto fisicamente como romanticamente, nunca me achei interessante o suficiente.
Assim que eu entrei na faculdade acabei conhecendo uma garota, e por algum motivo, eu conseguia ficar "bem" comigo mesmo quando estava com ela, acabei me apaixonando e fiz o que eu nunca pensei que teria coragem de fazer, me declarei pra ela e começamos a namorar.
Ela era a única pessoa em que eu me sentia a vontade de ser eu mesmo, não me sentia mal perto dela, e sempre fiz de tudo para fazer ela feliz, mesmo assim, quando estávamos separados, eu nunca entendia como ela podia gostar de mim, eu nunca acreditava em nenhum elogio que ela me dava, e sempre pensava que eventualmente ela se cansaria de mim.
Semana passada ela parou de responder minhas mensagens, e quando me respondeu foi falando que queria terminar, ela disse que ela não estava pronta para um relacionamento sério, que não estava madura o suficiente, e isso refletia suas ações como namorada, disse que queria o melhor pra mim e que eu tinha que ficar com alguém que me de o relacionamento que eu mereço.
Eu disse pra ela que algumas atitudes dela, que podem ser consideradas imaturas, realmente me machucaram, mas que a gente poderia resolver isso, e eu só queria ficar com ela.
Então ela fala que além disso, ela não sentia mais nada por mim, tudo o que ela tinha dito antes era verdade, mas que como ela não sentia mas nada por mim, era melhor terminar.
Sei que é idiota pensar que nunca vou achar ninguém igual a ela e talz, mas não consigo tirar da cabeça que realmente ninguém poderia gostar assim de mim, e que depois de um tempo, ela se cansou.
Não consigo me ver sendo tão aberto com outra pessoa, podendo ser eu mesmo, e essa pessoa me aceitando.
Terminamos bem, ela era minha namorada e melhor amiga, agora é só minha melhor amiga, nunca tivemos 1 briga, nunca fiquei com raiva dela, terminamos porque ela não estava preparada para um relacionamento sério e pq perdeu o sentimento por mim.
E apesar de eu saber que todos os pensamentos derivados da minha baixa autoestima são exagerados e incorretos, eu não consigo parar de pensá-los, e eu meio que já sabia que isso iria acontecer.
Pensava que eu nunca acharia alguém capaz gostar de mim fisicamente e/Ou romanticamente, acabei namorando uma garota que não sentia tesão por ninguém ( ela é assexual ), e que, como eu suspeitava, acabou se cansando de mim.
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2019.11.05 07:11 Dentito Último ano

Falta pouco mais de um mês para eu voltar pra São Paulo (capital)
Larguei minha querida cidade pra cursar Economia em Do do Iguaçu. Era uma das minha metas entrar na faculdade, e não importava taaantooo assim o curso.
Acabei não curtindo tanto a área, mas ao mesmo tempo criei um enorme respeito com ela e as coisas que estão relacionadas (política, sociologia, história, filosofia e outras matérias das ciências sociais/aplicáveis).
Percebi de forma concreta o quão privilegiado eu sou, ao mesmo tempo em que vi que isso não significa que minha voz é menor. Só que ela tem maior relevância em determinado contexto.
Aprendi a importância do ceticismo, e tenho meu débito com isso muito por causa da ciência. Ela vai mostrar mutas vezes que suas convicções podem estar erradas, como uma parede sólida.
Conheci muitas pessoas importantes, legais e inteligentes. As pessoas legais não necessariamente são as mais morais. As pessoas importantes não necessariamente são as mais legais. E as pessoas mais inteligentes não necessariamente estão certas, são legais ou morais.
Também conheci minha primeira namorada. Amo muito ela e aprendi muito mais a ser uma pessoa mais tolerante e aproveitar os momentos mesmo que você esteja com toda a razão de querer por "em dia" as contas.
Vi que Foz do Iguaçu não é uma boa cidade. Não se você está acostumado a morar numa metrópole com 12 milhões de pessoas. Mas pelo menos o litrão custa 6,75.
Beleza visual é só um detalhe quando os dois estão bem alterados e com vontade de trocar fluídos. E são os momentos mais gostosos. Mas até esse momento, ou tenha beleza ou tenha lábia/papo.
Valorizo MUITO mais meu próprio espaço e tempo.
Dinheiro realmente não é tudo, mas é uma boa parte.
Os pubs de São Paulo São overpriced e nem são tão bons.
Não seja pamonha. NOVAMENTE. NÃO SEJA PAMONHA. Oportunidades são poucas, e se você não for privilegiado, são menores ainda, então abraça essa porra de oportunidade que tá mexendo contigo.
No final das contas a experiência é o que vale. É chegar no seu conforto e estar tranquilo sobre o que viveu. E é por isso que ainda não tô satisfeito e quero mais, não estou confortável. Mas as experiências em Foz já foram o suficiente pra mim.
Estou mais perto dos 30 anos do que dos 10. Estou mais perto de ter um filho do que ganhar um videogame novo.
Talvez eu mude de área. Talvez eu não esteja mais namorando (Deus, que eu esteja errado, prometo crer em você). Talvez eu nem esteja mais nesse país. Ou até nesse plano.
Acho que todos merecem viver o que eu vivi, pra melhor.
É isso, só quis escrever algo enquanto não consi dormir.
Boa noite
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2019.11.01 01:09 Phoebird Quando meus dramas adolescentes vão acabar?

De repente, aquela sua ex-amiga do último ano do ensino médio te manda uma mensagem perguntando como eu estou.
Nós nos conhecemos online, falávamos só de coisas deprimentes, do ódio da sociedade, dos pais, da escola, da solidão, suicídio... Frequentemente compartilhávamos fotos de uns cortes que fazíamos pelo corpo, nossas várias caixas de antidepressivos, garrafas de bebida e maços de cigarro.
De repente, você se pega escutando todas aquelas bandas emo e música de fossa, resgata squeal sua playlist "lost soul" e "suicide songs". MCR, Simple Plan, Death Cab For Cutie e Maria Bethânia - As canções que você fez para mim não podem faltar.
Passaram-se quatro anos e os meus dramas são absolutamente os mesmos:
"Ninguém gosta de mim. Eu vou morrer sozinho".
"Ninguém gosta do que eu faço, da minha arte, da minha escrita. Ninguém nunca vai ler algo que escrevi".
"Sou incapaz de fazer amigos. Não sei o que dizer, não sei o que fazer, não sei nem onde por as mãos. Odeio pessoas".
"Eu sou gordo e feio. Tenho pena de quem vai carregar meu corpo depois que eu morrer".
Na foto, ela parece bem melhor. Fico feliz. Disse que parou com os remédios, superou a anorexia, tava terminando a faculdade e estava namorando. A última parte me doeu um pouco. A confissão foi confusão e sob efeito de álcool e alguns remédios. A rejeição foi pior ainda. Lembro que até juntava dinheiro de freela para um dia poder visitar ela. Quatro anos se passaram, eu ainda não superei ela e, pior ainda, não superei a mim mesmo.
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2019.10.15 11:43 B34r_w1th_m3 Eu queria ter sido piloto

Peço perdão pelo tamanho, não esperava que fosse ficar tão grande.
Eu queria ter sido piloto...
Dois anos e meio atrás eu estava meio à deriva no mundo. Estava no segundo ano ensino médio e não sabia exatamente o que fazer da vida. Não me sentia pertencente a nenhum lugar, não tinha exatamente planos pro meu futuro, meu relacionamento com meus pais ia de mal a pior e ainda por cima me metia em brigas.
Eu estava irritado com o mundo, mas eu não podia socar o mundo (embora com certeza eu tenha tentado, ficado com marcas nas minhas mão até hoje para me lembrar de não fazer mais isso). Queria desaparecer, me desintegrar. Me mostraram uma prova que teria para à Academia da Força Aérea e eu pensei "Vou me tornar piloto e voar pra longe de tudo e todos".
Me empenhei como nunca, estudei como um condenado para a prova que viria um Junho, porém houve um problema: eu me apaixonei. Me apaixonei pela aviação. Isso não estava nos meus planos, não era pra isso ter acontecido, mas aconteceu. Eu entrei em contato com esse mundo e me encantei. Ser piloto, ser militar, fazer algo que eu sentia que me deixaria completo. Eu agora queria virar piloto, piloto de resgate ainda.
Me apaixonei também por uma garota, algo que também não estava nos planos. Eu já havia amado antes, mas isso era algo diferente. Era algo que eu não consigo explicar exatamente até. Pra ser sincero eu não sei nem exatamente explicar como que essa mulher entrou na minha vida, só sei que um dia ela estava lá eu eu não queria que ela fosse embora. Melhorei por conta dela. Larguei a raiva, as brigas, as frustrações. Tentei realmente me tornar um homem melhor por mim, pelos outros e, especialmente, por ela.
Por muito tempo as coisas na minha vida estavam boas. Realmente boas. No dia de fazer a prova da AFA, passei pra segunda fase (algo que eu honestamente não imaginei que fosse realmente acontecer). Comecei a treinar para os testes físicos que eu teria de fazer para provar que eu estava apto para me tornar um militar. Apto para me tornar um piloto. Meu relacionamento com a garota ia ficando cada vez melhor. Eu não acreditava que existiam pessoas feitas uma para as outras, mas comecei a acreditar. Comecei a acreditar nisso, logo eu que sou a pessoa mais cética que conheço.
No dia de fazer os exames físicos, fui reprovado por ter queimado a linha de largada de uma das provas. Serei sincero com você, reddit, doeu ter sido barrado naquele ponto, especialmente por uma coisa tão boba quanto pisar numa linha, mas foi uma dor momentânea. Eu agora sabia o que eu queria da minha vida. Eu queria ser piloto, queria continuar esse relacionamento com essa mulher que sabe-se lá como eu tive a sorte de ter na minha vida.
Virou o ano e comecei novamente a me preparar para a prova que teria em junho. Estava confiante e determinado. Foram seis meses de preparo duro, mas que valiam a pena. Eu enxergava na FAB e na mulher meu futuro. Chegando em junho eu fiz a prova novamente. Saí da sala de prova confiante que havia conseguido passar pra segunda fase. Passado cerca de um mês saiu o resultado. Fui reprovado.
Eu não atingi a nota mínima em matemática para passar para a segunda fase. Quando fui corrigir minha prova com o gabarito oficial, havia contado que havia tirado mais do que o necessário para passar. Até hoje suspeito que cometi um erro na hora de passar o gabarito. Posso estar errado, porém. Talvez eu tenha ido pra prova confiante demais sabendo de menos.
Fiquei desesperado, já que minha mãe havia me dado somente aquele ano para passar numa faculdade. Eu não consigo por a opção "Aviação" num vestibular. Não sabia para o que prestar. Mas não havia problema, já que a mulher que eu amava ainda estava comigo. Decidi, depois de muito pesquisar e conversar com amigos e meu pai, prestar engenharia mecatrônica. Era uma área que eu me interessava, mas, honestamente, não me imaginava trabalhando com ela. Decidi fazer isso, mas eu ia tentar a prova da AFA uma terceira vez no ano seguinte.
Chegando o final do ano, época de vestibulares, a ansiedade dos alunos está no seu máximo. Muitos sentem a pressão desse sistema injusto. Uma competição brutal, se me perguntar. Eu, tentando focar no meus objetivos, não fui afetado muito por ela, mas minha namorada foi. MUITO afetada. Sua ansiedade despertou de uma forma esmagadora. Ela se viu no conflito entre prestar o vestibular para a área que ela amava e prestar para a área que achava que deveria fazer, já que arte não tem renda tão garantida assim. Ela não queria mais sair de casa, ver seus amigos e a mim, fazer antes as coisas que amava. Ela foi definhando. A mulher que eu amava estava se afundando num buraco que sua própria mente cavava. Me doía ver aquilo. Eu tentava ajudar, mas a melhor ajuda que eu consegui fazer era manter minha distância.
Não muito tempo depois que isso começou, ela admitiu pra mim que não me enxergava mais como uma pessoa que lhe causava prazer, mas sim como uma responsabilidade. Ela se forçava a falar comigo para não me magoar, mesmo que a ansiedade dela fizesse com que ela quisesse se isolar de todos os seres do mundo. Ouvir aquilo me feriu de uma forma que nada até hoje chegou perto de fazer igual. Já levei muitos socos, chutes, cortes e diversos outros tipos de ferimentos, mas aquilo fez algo comigo que me fez questionar minha própria existência.
Eu estava falhando em proteger a pessoa que eu mais devia proteger nesse mundo. Estava fracassando na minha única missão que realmente importava, que era fazer ela feliz. Eu era um fardo pra ela, uma responsabilidade que só aumentava os seus sintomas.
Sabendo de tudo isso, fiz a última coisa que eu pensei que teria de fazer: terminei com ela. Cada célula do meu corpo dizia para eu não fazer isso, que íamos conseguir passar por esse momento delicado. Mas eu sabia que não íamos. Eu era uma das fontes da tristeza dela. Ignorando cada parte de mim que protestava, terminei com ela para o próprio bem dela. Ela tinha que melhorar a qualquer custo, mesmo que esse custo fosse o nosso relacionamento.
As coisas só pioraram então. No início do ano seguinte, 2019, fui diagnosticado com uma espécie de diabetes. Isso significava que mesmo que eu passasse na prova escrita da AFA eu seria reprovado nos exames médicos. Meu sonho de ser piloto se foi. O futuro que eu havia sonhado por um ano e meio se foi. A mulher que eu amava e as minhas asas. Talvez eu tenha sonhado demais. Talvez eu tenha sido Icarus e voado perto demais do sol e me queimado. Talvez eu podia ter evitado tudo isso se eu tivesse sido menos arrogante na hora de fazer a prova e se eu tivesse sido menos um fardo para a minha namorada.
Eu estava novamente perdido. O que que eu deveria fazer? O prazo imposto estava prestes a acabar. Tentei me recompor ao máximo e traçar um novo plano. Deixaria meu choro somente para as noites no meu quarto, porque de dia eu precisava trabalhar, pensar num novo rumo.
Passei pelo ENEM pra uma faculdade boa em outro estado para engenharia mecatrônica. Eu estava agora ficando com uma outra garota, porém nada tão intenso naquele momento quanto era com a minha ex. As coisas estavam tomando um rumo que havia potencial. Mas não era meu sonho.
Meses se passaram e cá estou, distante do estado de onde eu vim. Estou namorando essa nova garota faz um tempo já e as coisas estão indo muitíssimo bem. Eu estou gostando de fazer essa faculdade. Morar sozinho tem sido uma experiência fantástica. Fiz novos amigos e estou vivendo uma vida nova. Ainda assim eu ás vezes queria poder mandar uma mensagem pra ela e dizer "você ia amar o céu estrelado daqui", ou "eles rasparam meu cabelo no trote da faculdade!". Queria poder olhar para um avião no céu e não soltar um suspiro triste, pensando como a vista lá de cima deve ser bela.
Estou escrevendo isso, reddit, porque hoje descobri que ela está namorando um outro cara. Isso me abalou de início. Me senti injustiçado. " Por que que ele podia ficar com ela e eu não?" eu fiquei me perguntando por horas enquanto eu chorava em minha cama. Quando todo esse momento passou, eu pude refletir um pouco melhor. Estou feliz por ela, de verdade, até porque eu fui o quem seguiu em frente primeiro. Porém, o mais importante, isso mostra que ela está bem de novo. Bem o suficiente para confiar de novo em alguém da forma que ela confiava em mim. Isso é tudo que eu quero, que ela esteja bem. Devo admitir, porém, que, assim como eu invejo o piloto do avião, eu invejo esse novo cara. Tanto o piloto quanto ele tem uma vista muito bela diante deles.
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2019.10.10 06:44 pinho07 Como escolher o amor da sua vida? Se é q existe o amor da sua vida...

Estou confuso quanto a começar uma vida amorosa, nunca namorei, mas posso começar em breve, só preciso me decidir. Sei q pode parecer estranho alguém tratar coisas do coração de modo tão racional, como se fosse natural controlar o momento de amar ou não. Considero o namoro um relacionamento muito sério q exige tempo, paciência, maturidade, respeito, etc. Tenho medo de causar sofrimento na outra pessoa por não saber amá-la suficiente ou então criar falsas expectativas ou então me frustar com o término desse relacionamento sendo preterido. No fundo, fico achando nunca ser bom o bastante para o outro, enfim... inúmeros medos bobos. Acredito q a união de dois seres é algo de extrema importância na nossa vida, não q seja imprescindível ou obrigatória para se ter uma vida melhor, mas dessa união podemos dividir o peso da vida e crescer em amor, alegria, paz e harmonia.
Outra coisa q meio q acredito, mas tbm não estou convicto se é verdade, é se temos de fato uma pessoa ideal para vivermos uma experiência afetiva. Alguns dizem alma gêmeas, tampa da panela, outra metade, etc, como se antes de nascermos já estivesse "escrito nas estrelas" q teremos uma pessoa q está em algum lugar do universo e no momento mais apropriado iremos nos encontrar e a mágica vai acontecer. Meio q acredito nisso pq pra mim é fato q acontece com muitas pessoas ao se ver "um certo alguém" ter sensações marcantes, aparentemente inexplicáveis, tendo o coração batendo mais forte. Uns dizem q é química, outros q é afinidade magnética, outros q são relações advindas de vidas passadas. O famoso "amor a primeira vista". Dentro dessa lógica imagino q pra ser uma união legítima deve haver reciprocidade, tenho q perceber ou sentir q o outro naturalmente tbm sente algo diferente por mim.
Mas tbm entendo q talvez toda essa história seja uma distorção romântica das relações humanas, afinal não temos como precisar ao certo todos os níveis do envolvimento emocional, existem heurísticas, vieses, circunstâncias q manipulam nossas sensações. Quantos casos existem de casais q juravam ser par perfeito e depois se desiludiram ou o contrário, pessoas q a princípio nunca se imaginaram juntas e depois passam a viver "felizes para sempre".
Diante disso, quando me sinto atraído por alguém interpreto q não necessariamente isso quer dizer ser preciso um envolvimento amoroso mais sério, busco controlar meus sentimentos e mesmo estando interessado procuro não demonstrar. Espero o tempo passar pra saber se realmente gosto da pessoa, busco conhecê-la melhor, quero ter a certeza de não ser "fogo de palha" ou uma paixonite de adolescente.
Diante de tudo isso, fico na dúvida: será q se começar a namorar com tal pessoa estarei namorando com a pessoa certa na minha vida? Ou será q tenho q esperar mais um pouco? Na escala de 1 a 10 da reação química ideal entre dois seres talvez essa pessoa q acho ser a pessoa certa está no nível 9, pode acontecer de na semana seguinte encontrar outra q está no nível 10 ou seria 9,9? Esse jogo do amor é perigoso, parece q funciona na tentativa e erro, não quero crer na maldosa frase "enquanto não encontro a pessoa certa, vou me divertindo com as erradas".
Estou num dilema, há mais de um ano tive um encontro fortuito com uma menina bem reservada da faculdade, trocamos olhares e conversas, e me senti muito impactado e atraído por ela. Juro q desde então nunca mais deixei de pensar nela, acho q em todos os dias. Peguei o contato dela, depois disso tivemos conversas esparsas pelo zap, temos muita afinidade de ideias e até chegamos a nos encontrar em alguns finais de eventos q curtimos em comum, mas como já era tarde da noite e o ambiente tumultuado só ficamos nos abraços e sorrisos. Na faculdade é difícil nos vermos e quando isso acontece é sempre corrido, estudamos de noite e os horários não batem pq somos de cursos diferentes. Eu tbm meio q fujo dela, ando pelos corredores evitando encontrá-la, pq não saberia como reagir. Não gosto de estender muito as conversas, pq perco um pouco do controle quando a vejo, fico pálido e me dá taquicardia, não gostaria de demonstrar às claras meus sentimentos. Na vdd, nem conheço ela direito, isso td pode ser fantasia da minha cabeça, devaneios pretensiosos, às vezes ela só me trata como um amigo distante, apesar de já ter me surpreendido com uma demonstrações de carinho fora da faculdade por meio de um bilhetinho escrito a mão q ela pediu q outra pessoa me entregasse. Somos de bairros distantes dentro da mesma cidade e eu presumo ela não quer compromisso nesse atual momento de sua vida. Por enquanto não revelo meu amor carnal, fico no platônico enquanto os medos bobos não vão embora.
Pra apimentar a história, surge um outro alguém, uma amiga de longa data q sempre achei delicada, bonita e singela, mas como ela era alguns anos mais velha q eu, acho q 2 anos, não me imaginei namorar com ela. Ela hj está mais madura e bem mais próxima de mim. Quando nos encontramos percebo o acanhamento dela, mas nas msgs suas carinhas de emojis são sempre afetuosas comigo. No pouco q ficamos juntos ela já me contou da sua vida pessoal, do seu ex-namorado, dos seus planos e incertezas. Ela é bem mais aberta comigo do q a outra, isso tbm se deve pq já nos conhecemos a mais tempo. Meu coração tbm diz q talvez podemos namorar, mas não tive aquele amor a primeira vista como foi com a outra. Sou sempre cordial e amigo com elas, evito entrar em assunto mais voltado quanto aos meus sentimentos por elas. Só q nesse último mês estou sendo impelido a me manifestar.
Aff... pq eu não me resolvo quanto a isso?
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2019.09.13 17:49 gcbraun Mudando de país e de carreira depois dos 30: a minha experiência...

Recomendaram que fizesse esse post por aqui:

Nasci no Rio de Janeiro, em uma família de classe média alta, no início da década de 80. Após frequentar bons colégios, me formei em Direito em meados dos anos 2000. Tinha uma ótima vida: morava a poucos metros da na praia de Ipanema, tinha uma renda bem acima da média e era produtivo na minha vida pessoal e profissional.
Ainda assim, desde que comecei a viajar sozinho pelo mundo, a volta para o Brasil sempre me inquietava.
A falta de civilidade das pessoas e a cultura do carioca médio de buscar vantagens em tudo sempre me incomodou.
O relativo sucesso profissional, por outro lado, encobria parcialmente a realidade de que nunca me senti realizado como advogado. Desde pequeno sempre fui fascinado pelo mundo da tecnologia, mas por questões de tradição familiar, optei pelo bacharelado em Direito.
O Ano era 2013, a economia brasileira crescia ao ritmo de 3.0% ao ano, o convite para me tornar sócio do meu então escritório tinha chegado, havia enfim feito uma grande reforma no meu apartamento, comprado um carro novo de excelente padrão e estava namorando uma menina do mais alto garbo.
Não obstante, a inquietude permanecia.
Obviamente jogar tudo para o alto de uma vez só seria loucura, mas naquele mesmo ano tomei uma opção que deixou muitos familiares e amigos totalmente confusos: ingressei em uma nova faculdade para cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
Em 2015, pouco antes da explosão da crise brasileira, já com a graduação tecnológica finalizada, tomei a decisão que faltava para o turning-point da minha vida se completar: pedi demissão, vendi meus bens e parti rumo ao continente Europeu.
Depois de um ano de estudo em tempo integral do idioma local, veio o convite para ingressar como terceirizado em uma grande multinacional alemã na área de TI. Entrei ganhando pouco, em um segmento no qual ainda não possuía qualquer experiência e falando um idioma com o qual não estava totalmente familiarizado.
Em 2018, um ano e meio depois, recebi o convite de efetivação e hoje colho os seguintes resultados da minha escolha:
Em suma: sair da sua zona de conforto não foi um mero clichê no meu caso. Com muito planejamento e algum esforço consegui me re-inventar completamente depois dos 30. Espero que este relato inspire alguém a fazer o mesmo!
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2019.09.13 08:16 gcbraun Mudando de país e de carreira depois dos 30: a minha experiência...

Nasci no Rio de Janeiro, em uma família de classe média alta, no início da década de 80. Após frequentar bons colégios, me formei em Direito em meados dos anos 2000. Tinha uma ótima vida: morava a poucos metros da na praia de Ipanema, tinha uma renda bem acima da média e era produtivo na minha vida pessoal e profissional.
Ainda assim, desde que comecei a viajar sozinho pelo mundo, a volta para o Brasil sempre me inquietava.
A falta de civilidade das pessoas e a cultura do carioca médio de buscar vantagens em tudo sempre me incomodou.
O relativo sucesso profissional, por outro lado, encobria parcialmente a realidade de que nunca me senti realizado como advogado. Desde pequeno sempre fui fascinado pelo mundo da tecnologia, mas por questões de tradição familiar, optei pelo bacharelado em Direito.
O Ano era 2013, a economia brasileira crescia ao ritmo de 3.0% ao ano, o convite para me tornar sócio do meu então escritório tinha chegado, havia enfim feito uma grande reforma no meu apartamento, comprado um carro novo de excelente padrão e estava namorando uma menina do mais alto garbo.
Não obstante, a inquietude permanecia.
Obviamente jogar tudo para o alto de uma vez só seria loucura, mas naquele mesmo ano tomei uma opção que deixou muitos familiares e amigos totalmente confusos: ingressei em uma nova faculdade para cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
Em 2015, pouco antes da explosão da crise brasileira, já com a graduação tecnológica finalizada, tomei a decisão que faltava para o turning-point da minha vida se completar: pedi demissão, vendi meus bens e parti rumo ao continente Europeu.
Depois de um ano de estudo em tempo integral do idioma local, veio o convite para ingressar como terceirizado em uma grande multinacional alemã na área de TI. Entrei ganhando pouco, em um segmento no qual ainda não possuía qualquer experiência e falando um idioma com o qual não estava totalmente familiarizado.
Em 2018, um ano e meio depois, recebi o convite de efetivação e hoje colho os seguintes resultados da minha escolha:

Em suma: sair da sua zona de conforto não foi um mero clichê no meu caso. Com muito planejamento e algum esforço consegui me re-inventar completamente depois dos 30. Espero que este relato inspire alguém a fazer o mesmo!
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2019.07.27 20:51 menitrust Um desabafo sobre ex namorada, pós-término, injustiças da vida e depressão

Namorei por 3 anos, foram 3 anos complicados, mas bons. Eu vou tentar não apontar quem errou ou quem acertou aqui, não gosto disso e não me acho no direito de julgá-la visto que todos os problemas que tivemos parecia se tratar de perspectivas diferentes. O desabafo é mais sobre mim e o quanto eu não consigo superar a depressão.

O relacionamento terminou em março, com ela alegando eu ser: ciumento, inseguro, possessivo. Em minha defesa, eu nunca fui isso durante 3 anos. Em 2018 minha mãe descobriu um câncer em estágio avançado, desde então tudo virou de cabeça para baixo, fiquei sem emprego, a vida estagnou e minha depressão que eu sempre tive acabou piorando. O que isso tem a ver? Bom, não tem como alguém ser forte 100% do tempo. Ela começou a se distanciar, fez novas amizades, mentiu diversas vezes para mim e ainda sobrava tempo para discutir diariamente onde eu, em todo o tempo, era o culpado por tudo. Vale lembrar que nunca a limitei de nada, acredito que um relacionamento saudável é quando ambos tem suas vidas individuais também. O ponto que quero chegar é que eu acabei precisando mais dela do que antes e eu nem falo de alguém para resolver meus problemas, mas é ótimo escutar de quem amamos um "vai ficar tudo bem, estou aqui para te apoiar". Digo, isso pelo menos foi o que eu fiz durante todos esses anos já que ela foi a quem mais sofreu com transtornos psicológicos e descarregava tudo em mim constantemente. Enfim, ela terminou comigo em março.
O relacionamento acabou de forma humilhante para mim. Decidimos manter uma amizade, mas eventualmente uns amigos dela começaram a me sacanear publicamente sobre um deles estar namorando ela, chamando de namorada, que amava e tudo mais. Eu não podia ignorar isso, eu ainda estava triste pelo término e não acredito que se deve ficar cutucando feridas abertas. Optei por cortar os laços com ela, falei que não achava aquilo justo tudo (nem o término), mas que desejava tudo de bom e que estaria sempre disponível para conversar caso ela entendesse o mal que me causou. Ela riu de mim e não disse nada.
Nesse ponto, eu entrei na pior depressão já vivida por mim. Não me sentia mais com forças para lutar por minha mãe, por minha família e nem mesmo por mim. Sem amigos, sem namorada, parentes distantes, ninguém era capaz de me perguntar "você está bem?". Não demorou muito para minha própria mãe falar "você quer que eu morra?". Me desculpa, mas eu não sabia o quão mais forte eu tinha que ser.
Uns dias atrás eu mandei mensagem para ela, queria tirar algumas coisas a limpo, pedir desculpas se fiz algo e tava apto a seguir em frente. A conversa em resumo: ela achou minha atitude de bloquear todas as redes sociais hostil, não bem vista aos olhos dela e que tudo ainda era culpa minha. Apesar disso, pediu desculpas por ter rido de mim (pela primeira vez na vida) e ambos se desculparam, mas preferiu não manter contato ou amizade por enquanto por motivos de "não me sinto preparada". Concordei e senti um certo alívio.
Desde então, não nos falamos mais. Sinceramente, isso foi um conforto interessante para mim, sinto que serviu como ponto final e os dias seguintes eu já nem pensava mais nela ou a respeito do que tivemos, senti como se realmente tivesse seguindo em frente.
Pulando para hoje: acordei cedo, fui ao mercado para comprar algumas coisas que faltavam aqui em casa, me arrumei e fui jogar meu basquete de toda manhã de sábado. Apesar da minha depressão, prometi a mim mesmo que não me mataria ou deixaria isso piorar minhas condições enquanto a história da minha mãe não tivesse um desfecho.
Contextualizando um pouco o que há por vir: Tem um rapaz lá que eu conheço há uns anos, cara legal. No início do ano eu, indo para faculdade da minha ex (com minha ex), encontrei com ele e descobri que era comum eles pegarem o mesmo ônibus. Depois que meu relacionamento acabou, vira e mexe ele faz um comentário sobre "sabe quem eu vi no ônibus?", na intenção de perturbar mesmo.
Hoje ele perguntou "como vai sua vida amorosa?", eu não entendi a pergunta mas respondi "não tenho uma ainda". Ele riu e falou "tu tem que esquecer tua ex cara, vou te levar num local aí", respondi que já havia superado para encerrar o assunto e ele insistiu. Notei que algo ele sabia, então falei "é, conversei com ela uns dias atrás" e ele falou "é, eu sei".
Isso foi uma surpresa, mas ainda sim ele não quis entrar em detalhes. Eu não queria parecer desesperado, então fui perguntando normalmente do que ele falava e ele sempre falando "se eu falar tu vai lá falar com ela para tirar satisfação". Isso já tava me deixando meio irritado, certamente não iria ter um fim legal nessa história. No fim ele perguntou se eu conhecia uma garota (que eu acredito fortemente ter sido uma grande influencia na cabeça da minha ex para tudo acabar como acabou) e que ele encontrou ela no ônibus, conversando com a minha ex.
Ele não disse como ou o que aconteceu, mas por alguma razão ele ficou sabendo da minha mensagem e isso me deixou intrigado. Porra, o que mais ele sabia? Ela (minha ex) é tão baixa assim? Então o fato de eu ainda ser feito de otário é real?
Preferi esquecer isso, mas isso acabou com minha manhã e consequentemente meu dia.
Estou absurdamente inquieto com isso, triste, deprimido. Eu realmente tava sentindo um gostinho de alívio, satisfação, de "posso virar a página" e então poucas palavras me derrubaram. Vontade de chorar, gritar, perguntar o motivo de tudo isso. Qual o propósito de ser atingido tantas vezes assim? Realmente existe uma forma de fugir da depressão?
Eu só não aguento mais ter que manter a postura diariamente para não ser julgado como fraco, chato ou inseguro. Eu não tenho mais interesse em relações sociais justamente por ter que ficar fingindo ser uma pessoa perfeita.

Peço desculpa o tamanho do desabafo e a minha falta de capacidade em me expressar, mas eu realmente me sinto no limite. O meu maior desejo no momento é que minha mãe fique boa logo, assim eu posso cometer o ato de suicídio sem o peso da culpa.
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2019.07.15 19:32 ursosolitario1 Não é que você não tenha amigos por ter se tornado chato, uma pessoa ruim ou qualquer outro motivo que você venha a pensar; acontece que você envelheceu

Sentimos falta de estarmos presos por mais de uma década a um grupo de pessoas.
Quando terminamos o colegial, cada um vai pra um lado e ai vem o sentimento de abandono.
Na faculdade tentamos recuperar um pouco disso que perdemos ao ingressar na vida adulta, o que na maioria das vezes não acontece, e quando acontece, acontece em menor quantidade do que quando eramos mais jovens.
A ausência de pertencermos a um grupo que está no mesmo barco acaba fazendo com que alguns de nós comece a frequentar igrejas, baladas, fóruns de jogos online,etc
Por isso damos tanta importância a quem estamos saindo ( ou namorando), a ausência de outras pessoas importantes em sua vida acaba aumentando a nossa dependência em relação ao nosso parceiro/parceira.
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2019.07.09 12:18 lipherus Íbis — Capítulo I

Bom dia, é a primeira vez que escrevo em primeira pessoa e gostaria de opiniões. =)
“A voz dos deuses e escolhida de Thot. No começo, era apenas uma Oráculo. Depois, uma bruxa queimada na fogueira do deus pagão. Espírito vagante sem salvação. E agora, protegida pelo crepúsculo Retorna aos braços d’Aquele que sempre a amou. Sob as asas d’Ele, ela se abrigou. E descansou.”
O pequeno e singelo poema cortou o silêncio do salão. Eu estava trêmula e ofegante, pois estava atrapalhando a palestra do meu professor e a grande oportunidade de sua carreira. Os estudiosos olhavam para Heru e depois para mim, à espera de alguma cena dramática que não aconteceu. Ele apenas desceu do palanque e me alcançou, sorrindo e igualmente trêmulo ao tomar o papel de minhas mãos. Murmurou agradecimentos e disse estar surpreso com a tradução, porque aquelas palavras deixavam explícitas que os antigos egípcios eram capazes de prever o futuro. Prometeu uma conversa sobre o papiro depois e pediu que eu me retirasse, mas não sem antes me agradecer de novo. Ao fechar a porta, explodo em lágrimas emocionadas e cansadas. Traduzir o poema foi um trabalho árduo de quase quatro anos, para no final descobrir que Thot havia se apaixonado por uma mortal e enterrou seu corpo em uma tumba sem glamour. Ele queria que sua amada permanecesse anônima, mas que ainda soubessem a quem pertencia. Ela não tinha um nome e sequer corpo, todavia sua existência estava cravada nas paredes de pedra do sarcófago. Levanto-me orgulhosa e volto para o laboratório, à procura de mais pistas sobre os amantes. Havia algo que ainda não tinha visto nas marcas e, mexendo em alguns pertences, um pingente em forma de meia lua cai no chão. Não sou perita em metais preciosos, mas sei que seguro algumas boas gramas de ouro puro. Procuro por escritos no verso da peça, e nada encontro, salvo os hieróglifos que remetiam a Osíris e Thot. Um presente para o deus do submundo? Depois de catalogar o colar, volto minha atenção aos textos até sentir dor de cabeça e sentar na cadeira. — Nailah, o professor Heru te chama no salão de convenção. Engulo em seco e vou até ele, esperando uma bronca por ter interrompido a palestra. Porém, ao entrar, fui recebida por salvas de palmas fervorosas. Ele me abraça e pede que explique aos demais sobre a descoberta, já que o mérito da tradução é todo meu. Sinto um misto de vergonha e emoção, porque Heru não tomou os créditos para si e deixou que eu, uma mera assistente, falasse aos melhores profissionais do mundo por horas a fio. Ele ficou ao meu lado para explicar alguns termos que não conheço, simplificar perguntas e traduzir algum outro idioma que não entendo. Ao terminar, pude respirar. Estou tão cansada que é difícil manter os olhos abertos e pensar, mas eu ainda preciso falar com ele. Despeço dos outros por alguns minutos e Heru me abraça de novo, sugerindo um jantar antes de irmos para casa e dormir. Aceito e nós fechamos o laboratório depois de pegar algumas coisas. "Sob as asas d’Ele, ela se abrigou.” É engraçado como essa frase ecoa na minha cabeça quando estou andando lado a lado com Heru. Eu o conheço há quase dez anos e nunca deixei de me sentir protegida e iluminada por sua presença. Ele é alto e imponente, com a pele tão preta que é quase avermelhada, e olhos espertos e pretos. Mas, basicamente, Heru Monterrey é um cachorro grande e bonachão que ladra e não morde. É muito fácil deixá-lo magoado e à beira de lágrimas, se quer saber. E eu amo ver esse lado sensível e frágil do meu professor, pois o torna humano e acessível. Ninguém imagina que um pesquisador de renome como ele é coração mole. — Eu encontrei isso. — entrego o colar em suas mãos. — Estava perdido no meio dos papéis. Parece que é uma oferenda a Osíris e Thot. — Ou uma oferenda de Thot para Osíris? Coço a cabeça e suspiro. — Não tinha pensado nisso. — confesso. — Nailah, você está esgotada e eu acho que deva tirar umas férias. — ele toca no meu rosto. — Eu estou pensando em dar um tempo também, podemos viajar juntos. — Quem convida é quem paga, viu? — empurro ele com meu ombro e sorrio. — Seria uma bênção poder dormir até tarde. — Pode ficar com a lua. Pego o colar e olho pra ele, chocada. Sabe-se lá de quando é a oferenda e Heru estava entregando casualmente pra mim, como um pingente comprado numa loja qualquer. Abro a boca inúmeras vezes, mas nenhuma palavra decente sai dela e só me limito a levantar as tranças pra facilitar o trabalho dele. Heru me julga por um tempo, ajeita e mexe no colar até deixá-lo bem em cima do meu coração e ficar satisfeito. — Tem certeza? — murmuro. — Isso é da sacerdotisa e não quero que Thot venha me assombrar. — Se Ele deu pra amada d’Ele, acho que não ficará bravo se eu der pra minha, não acha? Abaixo os olhos, subitamente tímida. Nós sempre brincamos com nossos colegas, que consideravam-nos namorados, mas ele nunca falou tão sério quanto aquele momento. Mordo meus lábios e seguro sua mão, sem dar resposta, mas deixando claro que se aquele é o sentimento dele, então é recíproco. Às vezes palavras não ditas fazem mais efeito do que aquelas expressadas aos quatro ventos. — Comida japonesa? — Heru pergunta para quebrar o gelo. — Depois umas doses de anti-histamínico pra não morrer de alergia? — Combinado. Saber que ele é apaixonado por mim tanto quanto sou por ele fez um bem danado pra minha auto-estima. Se antes e em algum momento da minha vida achei que não era bonita ou capaz, estava completamente enganada. Ouvir dos lábios dele que minha inteligência e devoção foram fatores cruciais para que ele se interessasse, tornou-me tão inchada quanto um balão. Depois, Heru começou a enumerar minhas qualidades físicas e só parou quando eu estava com a cara quente e prestes a surtar. Eu sou brasileira e me orgulho disso. Meu país tem os problemas dele, assim como os Estados Unidos também têm, mas nunca pensei que estudar na Unesp ia me levar até onde estou. Lembrei das noites acordada estudando infindáveis textos, das vezes que quis desistir e da minha felicidade por ter sido aprovada na faculdade que ele dá aula. E passei a amar meu corpo em forma de pera, os cabelos trançados e coloridos e, acima de tudo, a cor da minha pele. Antes tinha um grande tabu comigo mesma, por ser preta e ter uma posição de destaque, mas conforme fui aprendendo na faculdade e com a vida, percebi que estar ali é um mérito do meu esforço triplicado. No final da noite, eu e Heru transamos e dormimos juntos. Foi o momento em que eu o vi mais vulnerável, conheci cada cicatriz de seu corpo, os problemas que tinha, as marcas... Tudo. Ele se entregou completamente e assim também fiz, mostrando-lhe as feridas que tenho da época em que me afundei em depressão e cortei meus braços e pernas. — Bom dia. — ouço seu preguiçoso resmungo enquanto ele aperta minha barriga. — Agora posso morrer em paz. — Quer parar com isso? — começo a rir e abro meus olhos. — Bom dia. — Eu sempre quis apertar sua, como é que você chama? Pança. — seu português falho é particularmente adorável. — Eu amo essas dobras, sabia? — Heru! Para, sua mão tá gelada! — Tá bom, tá bom. Permissão pro abraço? — Concedida, senhor Monterrey. Enquanto ele toma banho, vou preparando o café da manhã. É inconsciente, mas eu checo minha barriga e conto as dobrinhas, três no total, pensando em como Heru pode achar aquilo interessante. Ouço seus passos ecoando pelo corredor e me viro para olhá-lo, namorando a cena do homem enrolado na toalha e molhado ainda. Ele se aproxima e ajeita a lua, jogando as tranças sobre meus peitos para tapá-los e evitar que eu pegue mais friagem. Seguro sua mão em meu rosto e fecho os olhos, sorrindo como a trouxa que sou. — Vai querer viajar? — Onde pretende ir? — roubo um selinho dele antes de servir a mesa. — Não vai entregar o artigo científico sobre a tradução? — Não está escrito em lugar algum que sou obrigado a trabalhar durante minhas férias. — ele dispara. — Pensei em alguma praia, sei lá. — Negão desaforado. — acerto a colher de pau na cabeça dele. — Praia é muito clichê e eu não sou muito fã do frio. — Patroa difícil de agradar, viu? Sento ao seu lado e começo a rir. Ele está tão à vontade que até parecemos casados há eras, e eu só sinto que vou desmanchar de felicidade. Nós conversamos um pouco mais sobre a tradução e Heru corrige o inglês, reclamando do quanto sou ruim para escrever. Tal afirmação me ofendeu um pouco, já que escrevo fanfics durante minhas folgas e nem formado nisso ele é. Começo a julgá-lo em silêncio e ele percebeu que tinha me magoado, em seguida pediu desculpas atrapalhadas e disse que ama minha escrita. — Como você imagina Thot de personalidade, Nailah? — Meio parecido com você, mas muito mais apaixonado pelo trabalho. Ele foi um carinha muito ocupado, até ajudar Osíris no submundo ajudou. — acendo meu baseado e deito no sofá enquanto Heru escreve no computador. — Curou o olho de Hórus quando Seth arrancou, depois ensinou magia para Ísis poder reviver o marido, luta contra Apófis quando Amon-Rá traz o sol... Tudo isso e ele ainda fez o calendário e desenvolveu os hieróglifos. — Você tem uma admiração enorme pelos deuses, hum? — A mitologia egípcia é linda, se me permite dizer. Tudo é tão conectado e diferente ao mesmo tempo... A gente não sabe nem um terço do que eles acreditavam e criavam. — E a sacerdotisa? — Não tenho uma imagem dela. — ofereço o cigarro pra ele. — Mas deve ser alguém de personalidade parecida com a de Thot, porque ela pegou o cara pelo colarinho mesmo. Uma pena que não seu nome em lugar nenhum, ia ser muito interessante conhecê-la melhor para entender como funciona esse lance de deuses e amores mortais. — Você viu isso? Sento no colo dele para ler o artigo de um colega nosso, o qual afirmava que Sekhmet e Anúbis tinha um relacionamento secreto. Para mim e meu conhecimento, a afirmação é errada pois eles eram deuses sem sintonia alguma. Ela é a deusa da guerra, tão furiosa que Rá precisou enganá-la com vinho para acalmar seu frenesi sangrento. Já ele parece ser mais pacato e melancólico, servindo fielmente ao propósito do julgamento da pena e à proteção da mumificação. Parecia impossível imaginá-los juntos. Ao terminar de ler, porém, comecei a ter minhas dúvidas sobre o que conhecia até então. — Será que existe algum documento que prova essa teoria? — Antes de Osíris ser quem é, Anúbis tinha o mesmo papel que ele. — Heru contestou ao soprar a fumaça na minha nuca. — Se Sekhmet matou os homens através de sua ira, é bem provável que tenha o encontrado durante a caminhada. — Mas tem uma teoria que diz que Sekhmet é uma face de Hathor e Bastet... Será? — Em Mênfis, ela foi esposa de Ptah e mãe de Nefertun até Mut e sua Tríade tomar lugar e ela passar a considerada como a própria Mut. Nossas informações são bem escassas e temos várias ideias do que pode ou não ser. Cada região tinha seu próprio mito, quem sabe o Richard esteja certo e apenas olhando para outro lugar que não vemos? Deixamos a discussão pra lá quando pegamos fogo levados pela maconha. Quando paro pra pensar nisso, me sinto um pouco culpada por levá-lo ao mau caminho, apesar dele ser bem mais velho que eu. Mas a erva funciona como uma válvula de escape para nós e não é algo que fazemos sempre, resumindo nossas brisas às escavações e trabalho. Pela primeira vez desde que fazemos isso, é que nos preocupamos em elevar a coisa para um nível mais pessoal e físico. Eu namoro o rosto distraído dele e lembro de tratar os arranhões que deixei em suas costas, ouvindo-o dizer coisas em árabe que não fazia nem questão de traduzir. Heru levanta-se num supetão e vira o meu colar, anotando os hieróglifos em um papel improvisado e resmunga ao voltar a deitar. Já sei que tenta entender a oferenda e pronuncia as palavras em sequências variadas, até fazer sentido. Toco em seu lábio para fazê-lo se calar e me aninho em seu abraço. Só hoje, querido, não falemos em trabalho. Roço meu nariz por seu rosto quadrado e reclamo da barba áspera, mas sinto-me protegida por seus braços e mãos sempre geladas. Heru beija a minha testa e desenha com os dedos na minha bunda, me fazendo rir. Ele se lembra de me agradecer pela tradução de novo e mais outras vezes, reforçando o quão honrado se sentiu por me ter como sua assistente, amiga e agora parceira. Confessa que estava a um passo de desistir do texto e eu, novamente, rogo-lhe que não falemos de trabalho. Mas meu amado professor não está contente e me implora para que façamos um artigo sobre Thot e sua amante ao voltarmos de férias.
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2019.06.22 07:03 Doomguy1234 Ah, o bom e velho Transtorno de Ansiedade Social...

...sempre me tornando mais parecido com a definição de “lobo solitário”.
Quer dizer, não posso afirmar que tenho isso (vou chamar de TAS) porque, tecnicamente, nunca fui diagnosticado com tal condição. Não tem como isso acontecer se você vive criando infinitas desculpas para não conversar com nenhum ‘estranho’(ou psicólogo) que possa te dar o veredito, não é mesmo?
Tenho quase certeza que tenho isso. Bom, isso e mais uma característica essencial na minha vida: Transtorno de Personalidade Esquiva. São duas coisas quase iguais, mas diferentes, de alguma forma.
Sou incapaz de me divertir em festas, a não ser que tenha algum jogo, pra desligar a mente (truco, videogame, etc). Normalmente eu sou julgado como o certinho e o tonto do rolê porque eu não gosto de ficar transtornado e vomitando de tanto beber e fumar em festas de faculdade, baladas, ou oq seja.
A questão é que eu não faço nada disso porque eu tenho um histórico considerável de alcoolismo na família. Some isso às minhas suspeitas acima, e você tem uma receita poderosa para piorar a minha personalidade mais ainda. Eu não quero arriscar, já é ruim assim, imagina se piorar...
Eu também me sinto exausto depois de conversas mais sociais. Cada uma exige muito de mim. Deve ser porque eu não consigo dar uma continuidade agradável pra elas. Se as pessoas não colocarem assuntos em pauta, ela morre e fica um clima muito estranho no ar.
Na maioria das conversas em grupo eu sempre estou deslocado dos outros. Muitas vezes eu minto nos grupos pra não virar a piada da roda e ser ridicularizado. Não sei se funciona, capaz que não e ninguém tenha coragem de tirar a minha máscara na frente de todo mundo. Parece que eu nunca to sintonizado com os outros, é incrível. Eu nunca trago algo pertinente para a conversa, na maioria das vezes eu só fico escutando e rindo pra não incomodar. Ou eu saio de fininho no meio, ninguém percebe. Eu odeio o hábito de passar qualquer festa ou algo assim num canto menos movimentado olhando o celular quando eu poderia estar em casa fazendo algo mais produtivo pra mim. Não necessariamente estudando ou coisa do tipo, mas algum hobby, jogo, guitarra, qualquer coisa menos estar isolado num ambiente onde eu deveria estar associado.
O pior é quando fazem aquelas perguntas de tio:
“E as namoradinha, como q ta indo?”
“Quantas mina tu ja pegou numa festa mano?”
“Como foi sua melhor ficada parça?”
Daí eu não sei o que responder (por que são as únicas perguntas q eu não tenho um roteiro pronto) e fica pior ainda. “Nois vai levar vc na zona um dia, nem q seja amarrado”. Esse tipo de coisa me deixa MUITO desconfortável (acho q isso vale pra qualquer um, sei lá kkkkk), e é lógico q os FDP percebem e ficam insistindo...
Sabe, não sei ao certo pq resolvi escrever tudo isso (Fazem mais de 3 semanas q esse rascunho ta salvo no celular e eu to acabando só agora...), não é como se eu me sentisse absolutamente despedaçado quando estou sozinho. Eu aprendi a conviver assim, me acostumei já. Como eu disse, faço de tudo pra evitar contato muito pessoal com os outros. É melhor assim, não tenho que me preocupar com o que minha presença significa para as pessoas, não tenho que me preocupar em estar magoando elas ou fazendo algo ruim pra elas.
Não sou capaz de oferecer muito às pessoas. O pouco de coisa boa que eu tenho normalmente passa despercebido, quem sabe até por mim mesmo. Eu não consigo acreditar quando pessoal da família me fala que eu sou bonito pra caramba, que não é possível que eu não esteja namorando, quando eu sou muito afastado das meninas dos lugares que eu frequento e quando eu tenho uma dificuldade imensa de tirar boas fotos. Eu não acredito quando me falam que eu sou muito inteligente, que sou bom aluno e tenho um grande potencial, quando eu erro coisas tão simples e pequenas em provas e trabalhos. Eu não acredito quando me falam que eu sou um bom amigo quando tudo o que faço nas raras vezes que desabafam e pedem minha ajuda é ouvir e dar sugestões vagas pra proceder.
É uma barra sentir que você não faz muita diferença nos lugares. Bom, pelo menos eu já acostumei com isso. A personalidade esquiva ajuda bastante tbm. Ao menos eu to bem longe do julgamento do mundo, então dane-se isso.
Acho que é isso. Quem sabe eu só precisava ventilar um pouco, com a pressão de fim de semestre marcando em cima. Se você leu até aqui, muito obrigado por se importar o suficiente para ler tudo isso...
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2019.05.19 22:48 new_treppenwitz Sobre amigos e amizades...

Vejo que muitos posts aqui na desabafos são relacionados a problemas com amizades, sejam dificuldades em arranjar novos amigos, amigos que te ignoram, amizades antigas que vão acabando. Eu to passando por esse problema tem um tempo também (melhores amigos se distanciando), e tenho pensado bastante sobre isso ultimamente, e resolvi escrever um pouco.

Acho que o problema principal é que temos a tendência de achar que amizades são algo sagrado, um laço inquebrável (pensamos o mesmo sobre relacionamentos amorosos), mas a realidade é que não são. Amizade é fruto da convivência, o resultado natural de pessoas que passam tempo juntas fazendo alguma atividade (como estudando na mesma sala na escola, por exemplo). Quando acaba o ensino médio, a faculdade, a tendência natural é os seus melhores amigos realmente irem se distanciando, caso a única coisa que vocês tivessem em comum fosse o fato de estudar juntos. Cada um tem uma gama de interesse e hobbies distintos, se você não compartilha nenhum com essas outras pessoas, com certeza elas vão entrar em outros círculos sociais e você vai começar a lentamente ser deixado de lado.

Junte nessa mistura também relacionamentos amorosos, casamentos. Quando se chega na idade em que a maioria das pessoas estão namorando, casando, tendo filhos (meu caso) aí já era, pois muitas das vezes mesmo você compartilhando interesses em comum com seus amigos, o foco deles acaba mudando e você vai sendo deixado de lado também. Não adianta tentar nadar contra a corrente, ficar puto, ficar triste, a realidade é essa e não há muito o que se fazer.

Caso você esteja numa situação em que esteja sentindo que seus melhores amigos de anos parecem estar perdendo o interesse na amizade, estão sempre ocupados para você, mas ao mesmo tempo estão sempre fazendo outras coisas com outras pessoas, não fazem mais questão de te convidar pra fazer nada, então

  1. primeiro faça uma auto-crítica pra ver se o problema não pode ser você. De repente você mudou também, adquiriu algumas manias chatas, tóxicas, e isso pode estar afastando as outras pessoas. Seja sincero consigo mesmo. Caso conclua que não é esse o problema, que você é um bom amigo, que está sempre trazendo valor nas amizades
  2. então analise se não pode ser simplesmente resultado de uma falta de interesses em comum entre vocês. Veja o que falei no começo, amizades não são coisas puras e sagradas, laços inquebráveis, muito pelo contrário, se você gosta de X e Y e seu amigo de W e Z, e vocês não compartilham mais situações "obrigatórias" (trabalho, escola, curso), provavelmente ele está entrando em outros círculos sociais nessas atividades W e Z e com certeza a amizade vai lentamente ir desgastando.]
  3. Por último, veja se não é resultado de [email protected], casamento, filhos. Se for esse o cenário, então não há muito o que fazer, sinto muito.

Seja como for, eu acho que a melhor saída diante de uma situação como essa é o Let It Go!, deixe ir, não fique batalhando, se importando ou triste com quem não te corresponde. Simplesmente haja da mesma forma, vá vivendo, adquirindo novos interesses, criando novos laços, e deixando as coisas fluírem. Não haja com raiva ou vingança contra seus amigos, tipo "Se ele me convidar pro aniversário dele, também vou falar que não quero ir!", pelo contrário, se te convidarem pra algo do seu interesse, ou quiserem puxar assunto, haja naturalmente, aceite o convite, de repente eles começaram a sentir sua ausência e querem estreitar laços novamente. Eu acredito muito na máxima de "quem quer, dá um jeito". Se eles quiserem continuar a amizade, pode ter certeza que vão entrar em contato, vão dar algum sinal de vida, qualquer coisa. Caso contrário, deixe pra lá e apenas guarde os momentos bons que passaram juntos na memória.

TL;DR : amizades não são coisas sagradas, são fruto de pessoas compartilhando interesses e atividades. se seus amigos estão se afastando, veja se o problema não é com você, caso não, provavelmente é falta de interesses em comum. nesse caso, procure arranjar novos amigos e não fique nadando contra a corrente e tentando reacender uma amizade se os outros não estão dispostos também.
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